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Berlim volta a receber o melhor do cinema português contemporâneo

© DR

Em 2026, a capital alemã volta a acolher os Portuguese Cinema Days in Berlin, uma mostra de cinema português, que celebra a sua oitava edição entre 26 de outubro e 3 de dezembro. As 12 sessões terão lugar no cinema Moviemento, em Kreuzberg, às segundas e quintas-feiras.

A programação reúne filmes portugueses de produção recente, que abordam questões marcantes da sociedade atual. Entre os temas em destaque estão o turismo, a imigração, as alterações climáticas, a guerra colonial, o racismo, a ditadura e a eutanásia.

A mostra de cinema terá 12 sessões e um total de 13 filmes. “Teremos ainda o prazer de contar, em sete das sessões, com a presença dos respectivos realizadores e realizadoras. O filme “Entroncamento” será apresentado pela sua atriz principal, Ana Vilaça”, lê-se na nota enviada ao BOM DIA.

O festival arranca com “Sonhar com Leões”, que recebeu o prémio Sophia para a melhor comédia da Academia Portuguesa de Cinema. Segue-se “A Memória do Cheiro das Coisas”, que está na corrida aos Óscares para melhor filme estrangeiro. Com “Lavagante”, explora-se uma questão que era muito cara a José Cardoso Pires, autor do livro que o inspirou: a condição feminina e o feminismo possível durante a ditadura. Será também exibido “A Árvore do Conhecimento”, um conto cheio de humor e ironia sobre as tensões entre portugueses e turistas, que estreia em Portugal apenas no início de dezembro.

No final de cada sessão, todos são convidados a ficar no lounge do cinema para saborear um cálice de vinho do Porto e conversar com os realizadores e outras pessoas do público. 

Os filmes serão exibidos na versão original, com legendas em inglês, de forma a chegar também a um público internacional em Berlim. Os bilhetes custam 8 euros, com um preço reduzido de 5 euros para estudantes e pessoas desempregadas. A entrada é gratuita para os titulares do cartão de assinatura Cinfinity.

O festival constitui, assim, uma oportunidade para dar a conhecer em Berlim – tanto à diáspora portuguesa quanto aos berlinenses em geral – o cinema português contemporâneo e, através dele, algumas das questões que atravessam a sociedade portuguesa. 

A iniciativa é organizada pela 2314 – Associação Cultural Portuguesa em Berlim, com o trabalho de uma equipa de voluntários, e conta com o apoio do programa de apoio ao movimento associativo do Ministério dos Negócios Estrangeiros, através da área das Comunidades Portuguesas.

Além do apoio do MNE – Comunidades Portuguesas e da Caixa Geral de Depósitos (CGD), a iniciativa conta com o contributo de várias empresas portuguesas ou ligadas a Portugal, nomeadamente os hotéis Pestana e Sana, o restaurante Anabela’s Kitchen, a Quinta de Santa Eufémia, a pastelaria Bekarei e a Marafado – Produtos Portugueses.

Programa:

26 de outubro, às 18h30 (hora local) | “SONHAR COM LEÕES”, Paolo Marinou-Blanco, 2024, 89’ – Tragicomédia

Gilda e Amadeu conhecem-se num workshop clandestino organizado pela misteriosa empresa “Joy Transition International”, que oferece suicídio assistido a preços exorbitantes. Comédia de humor negro surrealista sobre amor e eutanásia.

Q&A com Paolo Marinou-Blanco

29 de outubro, às 19h00 (hora local) | “A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS”, António Ferreira, 2025, 96’ – Drama

Arménio, um veterano da guerra colonial, vê-se obrigado a ir para um lar de idosos, onde se depara com os fantasmas do seu passado e estabelece uma ligação inesperada com Hermínia, a sua cuidadora negra.
Candidato português ao Óscar de Melhor Filme Internacional. 

2 de novembro, às 19h00 (hora local) | “ORLANDO PANTERA”, Catarina Alves Costa, 2025, 107′ – Documentário / Português e crioulo de Cabo Verde, com legendas em inglês 

Orlando Pantera transformou a música cabo-verdiana, revitalizando as suas raízes africanas e renovando a sua linguagem. Apesar de ter morrido muito jovem, deixou uma marca profunda na identidade cultural de Cabo Verde. Catarina Alves Costa mergulha no universo de Pantera para nos conduzir ao coração da sua música.

5 de novembro, às 19h00 (hora local) | “ESTAMOS NO AR”, Diogo Costa Amarante, 2024, 90’ – Drama

Fátima diz que não sente nada, mas sonha com o vizinho polícia. Vítor, o filho, usa secretamente a farda do polícia nos encontros com o rapaz que conheceu online. Júlia, a avó, quer fugir do lar para se libertar do fantasma do marido. Todos procuram uma felicidade que parece dissolver-se no ar.
Q&A com Diogo Costa Amarante

9 de novembro, às 19h00 (hora local) | “AS MENINAS EXEMPLARES”, João Botelho, 2025, 86’ – Comédia

Adaptação do clássico infanto-juvenil oitocentista da Condessa de Ségur, a partir do olhar da pintora Paula Rego, que nessa obra encontrou matéria para o seu imaginário simultaneamente inquietante e irreverente. Um surpreendente encontro entre literatura, cinema, e o universo visual de Paula Rego.

Q&A com João Botelho

12 de novembro, às 19h00 (hora local) | “ENTRONCAMENTO”, Pedro Cabeleira, 2025, 131’ – Drama

Laura é uma jovem que decide fugir de um passado conturbado e recomeçar a vida no Entroncamento. Quando surge a oportunidade de entrar no mundo do crime, vê-se confrontada com a escolha entre manter o seu emprego honesto e abraçar uma vida completamente diferente.

Q&A com a actriz principal Ana Vilaça

16 de novembro, às 19h00 (hora local) | “A ÁRVORE DO CONHECIMENTO”, Eugène Green, 2025, 101’ – Drama

Gaspar, um adolescente dos subúrbios de Lisboa, cai nas mãos de Ogre, um homem que fez um pacto com o Diabo. Ogre usa-o para atrair turistas, que transforma em animais antes de os matar. Gaspar afeiçoa-se a um burro e um cão, e foge com eles. Numa mansão encantada, encontra o espírito da Rainha D. Maria I.

Q&A com EUGÈNE GREEN

19 de novembro, às 19h00 (hora local) | “LAVAGANTE”, Mário Barroso, 2025, 92’ – Drama

Uma história de amor e enganos, num cenário marcado pela acção da polícia política da ditadura salazarista, a censura, as perseguições e as prisões, e a revolta estudantil do início dos anos 1960. O último argumento de António-Pedro Vasconcelos, adaptado da última obra de José Cardoso Pires.

23 de novembro, às 19h00 (hora local) | “NÓS, POVO DAS ILHAS”, Elson Santos + Lara Sousa, 2025, 80’ – Documentário

Cansados da pobreza e da fome, 31 jovens cabo-verdianos, incluindo uma mulher, partiram numa operação secreta para Cuba, com o objetivo de receber formação militar para libertar o seu país das garras do colonialismo. A luta contra o colonialismo contada pelos olhos dos colonizados. 

Q&A com Lara Sousa

26 de novembro às 19h00 (hora local) | “O VENTO ASSOBIANDO NAS GRUAS”, Jeanne Waltz, 2023, 93’ – Drama

Algarve, finais dos anos 90. Após a morte da avó, Milene divide a vida entre a sua família da velha elite local e uma família cabo-verdiana que vive agora na fábrica abandonada. Um movimento entre dois mundos que espelha o confronto da sociedade portuguesa com a sua própria transformação. A partir do romance homónimo de Lídia Jorge.

Q&A com JEANNE WALTZ

30 de novembro às 19h00 (hora local) – sessão com dois filmes

“KORA”, Cláudia Varejão, 2024, 28’ – Documentário (ucraniano, farsi, árabe e russo, com legendas em inglês)

KORA traça a silhueta de mulheres refugiadas a viver em Portugal. Em comum entre si, trazem o passado no corpo e nas palavras, bem como os retratos daqueles que amam. A partir dessas memórias, acedemos ao olhar íntimo e político de quem reconstrói o (seu) presente.

“BULAKNA”, Leonor Noivo, 2025, 93’ – Documentário (tagalog e português, com legendas em inglês)

BULAKNA invoca o nome de uma antiga guerreira filipina que resistiu à invasão colonial. O filme acompanha mulheres filipinas que hoje enfrentam uma nova forma de colonização: a migração pelo trabalho. Empregadas domésticas e cuidadoras, no estrangeiro, vivem divididas entre o sustento e a saudade.
Q&A com Leonor Noivo

3 de dezembro, às 19h00 (hora local) | “18 BURACOS PARA O PARAÍSO”, João Nuno Pinto, 2025, 108’ – Drama (português e italiano, com legendas em inglês)

Durante uma semana de calor extremo no interior do Sul de Portugal, três mulheres confrontam traumas familiares e um futuro incerto enquanto decidem o destino de uma herdade marcada pela seca, pelo abandono e pela herança patriarcal. Cercadas por um incêndio, são obrigadas a enfrentar o passado que as une e o fim iminente daquele lugar.

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