Von der Leyen considera ataque dos huthis na Arábia Saudita uma “escalada perigosa”
A presidente da Comissão Europeia classificou este domingo o ataque mortífero dos huthis contra o aeroporto de Riade como uma “escalada perigosa” e declarou que o grupo apoiado pelo Irão deve cessar ações contra alvos civis.
“Estes ataques levados a cabo por grupos intermediários do Irão estão a arrastar a região para uma espiral de violência”, disse Ursula von der Leyen, citada pela agência francesa AFP.
Doze pessoas morreram e 309 ficaram feridas num ataque no sábado contra o aeroporto de Riade, o mais mortífero em mais de dez anos no reino, anunciaram as autoridades sauditas, acusando os huthis do Iémen.
O Aeroporto Internacional Rei Khalid continuava encerrado este domingo, sem previsão para a retoma das operações. Fontes do sector aéreo citadas pela agência France-Presse (AFP) indicaram que o ataque danificou sistemas de radar e comunicações, estando ainda por avaliar o estado das pistas.
Ursula Von der Leyen disse que os ataques “destabilizam infraestruturas essenciais para o transporte mundial e para o abastecimento energético, provocando ondas de choque em todo o mundo”.
“Estes ataques mortíferos contra civis têm de cessar imediatamente”, declarou, acrescentando que a União Europeia (UE) está solidária com a Arábia Saudita.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, denunciou o ataque de sábado como um “ato de terror”.
“Não pode haver qualquer justificação para ataques indiscriminados contra civis e infraestruturas civis”, escreveu nas redes sociais.
Kallas disse que estava em contacto próximo com o homólogo saudita e defendeu o reforço da cooperação entre uma missão naval da UE no mar Vermelho e uma coligação marítima liderada por Riade.
Afirmou ainda que os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE vão debater na segunda-feira “as tensões crescentes na região”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, qualificou o ataque como um “ato terrorista contra a Arábia Saudita e a aviação civil”.
“Os nossos pensamentos estão com as vítimas, e apresento as minhas sinceras condolências aos seus familiares. Também transmiti estes sentimentos ao meu homólogo Faisal bin Farhan Al Saud”, acrescentou.
O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, também condenou o ataque atribuído aos huthis, que qualificou como uma “escalada perigosa”.
“O que testemunhámos durante a noite constitui uma escalada perigosa e, receio, insere-se numa tendência cada vez mais acentuada dos huthis para visar alvos civis na Arábia Saudita”, declarou em entrevista à estação de televisão Sky News.
Streeting considerou tratar-se de “um ato totalmente desprezível”.
“É uma das razões pelas quais o Reino Unido presta apoio à Arábia Saudita, não só através de sistemas de defesa aérea, mas também de reabastecimento aéreo”, afirmou.
Londres anunciou no final de setembro ter aceitado um pedido de Riade para “reabastecimento em voo para fins defensivos, a fim de a ajudar a repelir os ataques dos huthis”.
“Queremos ver o fim deste conflito. Não pode ser aceitável que os huthis ataquem alvos civis desta forma”, acrescentou o ministro britânico.
O ataque foi igualmente condenado pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
“Estou profundamente chocado e condeno veementemente o ataque mortal perpetrado no sábado pelos huthis contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade”, declarou António Guterres, num comunicado.
A Liga Árabe e vários países do Médio Oriente também condenaram o ataque.
Nas últimas horas, surgiu também a reação do Iraque através do porta-voz do Governo, Sabah al-Numan, que considerou que os acontecimentos de sábado colocam em risco a segurança e a estabilidade da região.
“O Iraque apela a uma cessação total das operações militares, a fim de poupar os civis e os povos dos países irmãos das consequências e repercussões, e de garantir que as instalações civis sejam protegidas”, declarou.