O arquiteto Pedro Resende Leão afirmou que o “Porto vai ganhar 1650 metros quadrados de arruamentos novos e um jardim público no centro” da cidade com a obra de reabilitação do Seminário Maior, que teve início em março.
Em declarações à Agência ECCLESIA a propósito do avanço da intervenção, o responsável do projeto explicou que “mais de 10% do lote” desta infraestrutura, que agora é renovada, foi cedida, “nesta operação urbanística, à via pública”.
“[As pessoas] vão poder descer a escada do colégio, passar pelo bar do colégio, ir ao miradouro do colégio, descer umas escadas novas, com o que a gente chama no projeto de ‘escadas de seminário’, ainda não têm nome”, indica.
“Vai ser uma via pública. Depois é fazer um caminho, que era a leira do meio, que é o que nós chamamos em projeto ‘o caminho da cerca’, e chegar a pé à escada do Barredo”, desenvolve o arquiteto.
Segundo Pedro Resende Leão, esta será a “principal mudança” que a intervenção vai provocar aos olhos dos cidadãos da cidade: “O que vai ficar de memória para o Porto é o ganho deste espaço público”.

O ecónomo da diocese, padre Samuel Guedes, destaca o “espaço muito agradável”, que identifica como miradouro, que a região vai usufruir com a obra, orçada em 16 milhões de euros e que tem um prazo previsto de dois anos.
“Um jardim muito bonito, aberto ao público, que vai unir o largo do Colégio, que é aquele largo em frente à igreja dos Grilos, até à escada das Verdades, onde os turistas, os cidadãos do Porto, todas as pessoas, vão poder usufruir de uma vista fantástica do rio de Douro, um espaço de lazer fantástico”, descreveu.
Ao Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição do Porto, que será composto por 54 quartos, com casas de banho privativas, sala de refeições, cozinha reabilitada, zona de estar, espaço de convívio dos seminaristas, jardins, vai juntar-se uma nova valência: uma hospedaria, que visa assegurar a sustentabilidade financeira da própria casa.
“Tem sala de refeições, restaurante, zonas de jardim, tem receção, e vai ter 53 quartos”, detalhou o arquiteto.
“Nós não podemos estar à espera, como antigamente, dos ofertórios, porque as comunidades precisam deles. E, portanto, era das paróquias que vinha muito da receita para o funcionamento das estruturas diocesanas”, deu conta o padre Samuel Guedes.
“A diocese forma os seus padres, mas precisa de ter sustentabilidade para os formar. Esta hospedaria vai, naturalmente, ajudar a trazer sustentabilidade”, complementou.
Sobre o processo de construção do novo edificado, o arquiteto Pedro Resende Leão enfatiza que, em conjunto com o Seminário, formam “um edifício único” e que “vão viver de espaços comuns”, divididos do ponto de vista físico, e que, por isso, já há partes as serem intervencionadas.
“Os hóspedes não entram pelo seminário dentro, os seminaristas não entram pela hospedaria dentro. Por razões óbvias, o seminário é uma casa para pessoas que residem aqui o ano inteiro, a hospedaria é um local para receber pessoas de fora, turistas, visitantes, que vão estar uma semana, um dia, um fim-de- semana, e que vão e vêm”, acentua.
“Mas estas duas valências são duas valências de um edifício só. Ou seja, só temos uma entrada de água, só temos uma entrada de eletricidade, só temos uma saída de residuais”, frisa o arquiteto.
O padre Samuel Guedes realça que esta é uma “obra complexa”, com “muitos zeros”, que obrigou à realização de “investimentos bancários” e, por isso, toda a receita gerada, quer com a hospedaria, quer com outras iniciativas na diocese, destina-se “ao longo destes anos”, pagar o valor da reabilitação.