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Ciberataques em Portugal sobem 61%

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Portugal não está imune aos ciberataques, Foi registada em setembro uma média de 3.181 ciberataques semanais por organização, mais 61% do que no mesmo mês de 2025, colocando o país acima das médias europeia e mundial, segundo dados da Check Point Research.

A média portuguesa ficou cerca de 25% acima da registada na Europa, de 2.545 ataques semanais por organização, e 13% acima da média mundial, que atingiu os 2.803 ataques. A Europa foi, aliás, a região que registou o maior crescimento homólogo, também de 61%.

Entre os setores mais visados em Portugal, a Educação ocupa o primeiro lugar, seguida da Administração Pública e das Telecomunicações. Os Serviços Financeiros surgem em quarto lugar, à frente dos Bens e Serviços de Consumo, Serviços Empresariais e Indústria Transformadora.

Os dados da Check Point indicam ainda que a Educação e a Administração Pública registaram em Portugal níveis de ataques superiores às respetivas médias mundiais, enquanto os restantes cinco setores analisados ficaram abaixo das médias globais dos seus setores.

A tendência portuguesa acompanha uma forte deterioração do cenário mundial. Em setembro, as organizações de todo o mundo enfrentaram uma média de 2.803 ataques por semana, mais 48% do que um ano antes e mais 16% do que em agosto. Entre maio e setembro, a média mundial passou de 2.055 para 2.803 ataques semanais, um aumento de 36%.

A América Latina apresentou a maior média regional, com 3.813 ataques semanais por organização, enquanto África registou 3.701 e a região Ásia-Pacífico 3.593. A Europa ficou nos 2.545 ataques, mas destacou-se pelo crescimento homólogo de 61%. Na América do Norte foram registados 2.197 ataques semanais por organização.

Entre os países europeus analisados, Portugal apresentou um volume semelhante ao de Itália, que registou 3.190 ataques semanais por organização. Espanha ficou nos 2.507, a Alemanha nos 2.316, o Reino Unido nos 1.920 e França nos 1.815.

A Educação é também o setor mais atacado a nível mundial. Em setembro, registou uma média de 6.656 ataques semanais por organização, mais 59% do que um ano antes e mais 24% do que em agosto. A Check Point associa este aumento, entre outros fatores, ao início do ano letivo e ao regresso de estudantes, professores, encarregados de educação e outros utilizadores às redes das instituições.

Outro fator de preocupação é a utilização crescente de ferramentas de inteligência artificial generativa. Segundo os dados divulgados, uma em cada 39 instruções submetidas a estas ferramentas em contexto empresarial apresentou um risco elevado de fuga de dados sensíveis em setembro. Esse tipo de exposição foi identificado em 89% das organizações que utilizam regularmente ferramentas de IA generativa.

Em média, cada utilizador realizou 131 pedidos durante o mês e cada organização utilizou oito ferramentas de IA generativa. Informação sobre redes e infraestruturas de TI apareceu nos pedidos de 71% das organizações, seguida de dados financeiros, informação jurídica e regulamentar, dados de colaboradores e recursos humanos e dados pessoais identificáveis.

O correio eletrónico continua igualmente a ser uma das principais portas de entrada para ataques. Em setembro, uma em cada 91 mensagens de email a nível mundial foi classificada como phishing, contra uma em cada 112 em agosto. Entre essas mensagens, 81% continham ligações e 11% incluíam anexos. Na Europa, a proporção foi de aproximadamente uma mensagem de phishing em cada 126.

Também os ataques de ransomware registaram um crescimento significativo. Foram reportados 824 ataques em setembro, mais 53% do que no mesmo mês de 2025. Os Serviços Empresariais concentraram 31,3% das vítimas divulgadas, seguidos pelos Bens e Serviços de Consumo, com 15,2%, e pela Indústria Transformadora, com 11%.

A Check Point alerta para um cenário em que o aumento do volume de ataques se combina com uma maior frequência de phishing, níveis elevados de ransomware e uma utilização crescente de inteligência artificial generativa, aumentando também o risco de exposição de informação sensível.

Para a empresa, as organizações devem adotar uma abordagem de prevenção que combine inteligência de ameaças, controlo e automatização e que abranja redes, ambientes cloud, dispositivos, correio eletrónico e sistemas de inteligência artificial.

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