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Nova comédia portuguesa aborda relações amorosas, imigração e diferenças culturais

© DR

O realizador Rui Pedro Sousa e a produtora Sónia Resende estreiam na quinta-feira, nos cinemas, a comédia “O pecado mora em cima”, concretizando a ideia de “fazer filmes comerciais, com qualidade e que passem uma mensagem”.

“Em Portugal ainda há um bocadinho de reserva em relação ao cinema comercial, que pode e deve ser sinónimo de qualidade. Eu tento que tenha sempre um cunho de qualidade, mas há sempre uma reserva”, contou Sónia Resende, produtora da Station Productions, em entrevista à agência Lusa.

“O pecado mora em cima” é o segundo filme de ficção de Rui Pedro Sousa e da Station Productions, depois de “Revolução (sem) sangue” (2024) e foi gravado no verão passado, no Porto, com os atores brasileiros Miguel Falabella e Marisa Orth e os portugueses Inês Aires Pereira e Pedro Carvalho.

A história apresenta um casal de imigrantes brasileiros que decide convidar para jantar um jovem casal português que vive num apartamento no andar de cima, num prédio do Porto.

A ação decorre durante o jantar, ao longo do qual se revela o desgaste do relacionamento íntimo do casal brasileiro, mais velho, e se instalam as dúvidas sobre a relação intensa do par jovem.

“O pecado mora em cima” tem argumento do criativo brasileiro Edson Athayde a partir de uma peça de teatro e filme do autor espanhol Cesc Gay que já foi adaptado várias vezes para o cinema, nomeadamente em “O Convite” (2026), de Olivia Wilde.

Sobre a adaptação portuguesa, Sónia Resende explicou que queria “algo inteligente, que fosse bem escrito” sem ser uma comédia brejeira, que confrontasse a ideia de relações amorosas mais conservadoras e mais liberais e que tivesse alguma ligação à cultura portuguesa e brasileira.

“E tenta falar de temas fraturantes como a emigração em Portugal. Somos um país de emigrantes e temos de ter sensibilidade para acolher quem procura o nosso país para melhores condições de vida”, disse.

Apesar de já terem sido feitas várias versões do filme, Sónia Resende acredita que “O pecado mora em cima” vai atrair espectadores em Portugal.

“O que temos visto nos cinemas é que são as comédias que mais vendem e temos de reeducar o público. Quis fazer uma comédia com essência em que houvesse uma justiça social, falasse de relações. Ninguém vai sair indiferente deste filme. Acho que podemos fazer filmes comerciais com qualidade e que passem uma mensagem e é isso que muitas vezes os produtores, distribuidores e afins não entendem cá”, considerou.

“O pecado mora em cima” tem financiamento do Instituto do Cinema e do Audiovisual e do incentivo fiscal “cash rebate”, mas o apoio é maioritariamente privado, “com o devido retorno das marcas em termos de visibilidade”.

“Dou graças ao Ministério da Cultura por ter tido sensibilidade e ter alargado juridicamente a aplicação do conceito de mecenato cultural, mas mesmo assim acho que é importante haver outro tipo de benefícios para as empresas que apoiam o cinema português e a cultura em geral; que sejam mesmo benefícios fiscais, seja o que for”, defendeu a produtora.

Sobre os próximos projetos, depois de “Revolução (sem) sangue”, que foi visto por cerca de 21.000 espectadores, e de “O pecado mora em cima”, que se estreia na quinta-feira, a produtora está já a preparar o próximo filme, que será uma adaptação do romance “Pão de Açúcar”, de Afonso Reis Cabral.

O romance aborda o caso verídico da morte de Gisberta Salce, mulher trans brasileira, depois de ter sido atacada por jovens entre os 12 e os 16 anos, em 2006, no Porto.

“Eu sou advogada, além de ser produtora, e todos os filmes têm de ter um cunho social e de justiça muito grande. Já foi assim no ‘Revolução (sem) sangue’. Aqui [em ‘O pecado mora em cima’] é a questão da imigração e das relações e no Gisberta quero seguir esse caminho”, justificou Sónia Resende.

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