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Formar quem forma

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A dimensão dos nossos clubes, a qualidade da formação de treinadores e dirigentes tornou-se um dos fatores determinantes para o futuro dos nossos atletas e por consequência do desporto. Quando falamos de formação, é fácil pensar somente em desempenho, resultados, vitórias e evolução técnica. Mas o verdadeiro objetivo deveria ser mais profundo, formar pessoas.

Por detrás de cada atleta existe um ser humano em construção, com sonhos, medos, dúvidas, talento, mas também receios e fragilidades. Em todo esse contexto e processo temos necessariamente treinadores e dirigentes que, muitas vezes sem se aperceberem, deixam marcas que podem acompanhar esses jovens durante toda a vida, e isto em diferentes sentidos e evoluções.

Ser treinador deixou de ser simplesmente um dominar de aspetos técnicos ou táticos.

Significa lidar e liderar jovens com um longo percurso a percorrer, com todo um caminho e vida numa página a ser escrita. Significa liderar pessoas!

Significa sobretudo compreender emoções, gerir expectativas, criar confiança e ajudar cada atleta a descobrir a melhor versão de si mesmo.

Um treinador ensina muito mais do que aspectos tácticos ou aspectos técnicos ou sobre estratégias de jogo.
Falamos de exemplo, da palavra, das atitudes e até dos silêncios, de tudo o que enquadra em exemplo e postura!
Muitas das recordações e memórias que um atleta guarda para sempre não estão relacionadas com uma vitória ou um troféu, mas muito mais com o sentir-se ligado a uma forma de ser e existir, a uma alma e sentimento, à confiança que alguém depositou nele quando poucos acreditavam.

Os dirigentes desempenham um papel determinante, possivelmente não o valorizamos de igual forma, mas é igualmente importante.

São eles que definem a cultura da organização, que estabelecem prioridades e que criam as condições para que treinadores e atletas possam crescer num ambiente saudável.

Uma direção pode escolher construir uma cultura baseada exclusivamente na vitória ou pode optar por algo muito mais duradouro, uma cultura sustentada por valores, respeito, desenvolvimento humano e sentido de pertença.
Num mundo em permanente mudança, a formação contínua deixou de ser uma opção para passar a ser uma necessidade.

Nem o treinador nem o dirigente podem acreditar que já sabem tudo, a aprendizagem deve acompanhar toda a carreira através de momentos de reflexão, observação, partilha de experiências em diferentes realidades, num feedback permanente.

A liderança verdadeira não nasce da autoridade formal, nasce sobretudo da coerência.

Nasce quando aquilo que se diz corresponde àquilo que se faz.

Nasce quando existe coragem para tomar decisões difíceis sem abdicar dos princípios e quando se consegue exigir excelência sem perder o respeito pelas pessoas.

As culturas desportivas mais fortes fazem-se sentir onde existe exigência e apoio, onde a ambição caminha lado a lado com a humanidade e respeito pelo futuro.

Investir na formação de treinadores e dirigentes é mais do que melhorar competências profissionais, é proteger o desenvolvimento dos atletas, fortalecer organizações e preparar um futuro mais sustentável.

Treinadores e dirigentes não formam apenas atletas, formam pessoas, e aquilo que cada atleta se torna dentro e fora do campo será sempre a maior vitória que o desporto alguma vez poderá alcançar.

Porque os resultados ficam nos registos da história, mas a forma como influenciamos a vida das pessoas permanece muito para além do apito final.

Pedro Paralta

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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