Cristiano Ronaldo melhor Bola de Ouro de sempre para os leitores da France Football
Cristiano Ronaldo foi eleito o vencedor do B.O.A.T. (Ballon d’Or Of All Time), uma iniciativa da revista France Football que procurou identificar a edição mais marcante de sempre do prestigiado prémio individual do futebol. A conquista do internacional português em 2008 superou a de Lionel Messi em 2012, numa votação aberta ao público e que permitia votar várias vezes mediante o pagamento de um euro por voto.
Dois dias depois da cerimónia da Bola de Ouro de 2026, a France Football revelou os resultados de uma iniciativa inédita associada à história do galardão. O vencedor foi Cristiano Ronaldo, graças à edição de 2008, ano em que conquistou pela primeira vez a distinção e se afirmou definitivamente entre as maiores estrelas do futebol mundial.
O português bateu Lionel Messi, cuja edição de 2012 terminou na segunda posição. O argentino tinha protagonizado nesse ano uma das temporadas estatisticamente mais impressionantes da história do futebol, ao marcar 91 golos em jogos oficiais pelo Barcelona e pela seleção argentina, um recorde de golos num ano civil. Ainda assim, os adeptos preferiram a temporada de afirmação internacional de Ronaldo, que brilhou ao serviço do Manchester United.
Em 2008, o avançado português marcou 42 golos em todas as competições pelo clube inglês, conquistou a Premier League e a Liga dos Campeões e terminou a época como uma das figuras centrais do futebol europeu. A sua capacidade de decisão, velocidade, jogo aéreo e eficácia na finalização foram determinantes para o sucesso do Manchester United, então orientado por Alex Ferguson.
A votação colocou Ronaldo e Messi no centro das atenções. O terceiro lugar foi ocupado por outra edição vencedora de CR7, a de 2017, enquanto Messi ficou em quarto lugar com a conquista de 2023. As duas estrelas repartiram as primeiras 12 posições do ranking, que inclui diferentes anos em que cada um recebeu a Bola de Ouro. O primeiro jogador a surgir fora deste duelo foi o brasileiro Ronaldo Nazário, na 13.ª posição, graças ao prémio conquistado em 2002.
A lista incluiu ainda algumas das maiores figuras da história do futebol. O inglês Kevin Keegan ficou em 16.º lugar com a edição de 1979, Johan Cruyff surgiu em 17.º com a conquista de 1974 e Michel Platini ocupou a 18.ª posição com o prémio de 1984. Franz Beckenbauer e Marco van Basten também figuraram entre os nomes distinguidos pelos adeptos, embora mais abaixo na classificação.
A iniciativa teve regras diferentes das utilizadas na atribuição habitual da Bola de Ouro. Em vez de um júri de jornalistas internacionais, foram os leitores e utilizadores da plataforma oficial que escolheram a sua edição preferida entre os jogadores que conquistaram o prémio pelo menos duas vezes. Cada vitória individual constituía uma opção de voto, permitindo distinguir, por exemplo, a Bola de Ouro de Ronaldo em 2008 daquela que recebeu em 2017.
A participação custava um euro por voto. Em contrapartida, os participantes recebiam uma fotografia histórica da Bola de Ouro e ficavam habilitados a um sorteio de dois bilhetes para a cerimónia de 2027. A possibilidade de votar mais do que uma vez foi uma das características mais particulares do processo.
A France Football esclareceu que o B.O.A.T. não representa a criação de um novo troféu oficial nem corresponde a uma espécie de Super Bola de Ouro. A iniciativa pretendeu prolongar a relação entre a publicação, a distinção e os adeptos, convidando-os a participar na discussão sobre os momentos mais marcantes da história do futebol.
Para Cristiano Ronaldo, o resultado tem um significado simbólico particular. A edição de 2008 representa o momento em que o jovem talento formado no Sporting e transformado numa estrela mundial em Manchester alcançou pela primeira vez o reconhecimento individual máximo do futebol. Foi também o início de um percurso que o levaria a conquistar cinco Bolas de Ouro, a vencer os maiores títulos de clubes e a tornar-se o melhor marcador da história do futebol internacional masculino.
Ao escolherem 2008 em detrimento de 2012, os participantes não se limitaram a escolher entre Ronaldo e Messi. Preferiram duas temporadas extraordinárias, cada uma à sua maneira, e colocaram no topo aquela em que o português confirmou a sua chegada à elite mundial. Mais do que encerrar a discussão sobre quem foi o melhor, o resultado volta a demonstrar a dimensão da rivalidade entre dois futebolistas que marcaram uma era e continuam a dominar a memória coletiva dos adeptos.