O Presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu, este domingo, responsabilizar quem “tentou derrubar a República”, num discurso à nação após os incidentes violentos que ensombraram os protestos nacionais contra o aumento do custo de vida e as condições do ensino.
“Aqueles que saquearam terão de indemnizar pelos danos, e aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados”, disse o chefe de Estado francês na intervenção.
Macron apontou a “violência desenfreada” por parte de “elementos de grupos radicais de extrema-esquerda, aos quais se juntaram inúmeros criminosos”, expressando a “raiva” e a “vergonha” da população francesa perante os atos de violência ocorridos à margem das manifestações de sábado.
“Todos nós sentimos esta noite raiva e vergonha”, declarou o Presidente de França, apelando a que não se “confundam” os manifestantes com “reivindicações legítimas” com “aqueles que destruíram, partiram e saquearam”.
“Ver as ruas das nossas cidades assim devastadas é insuportável”, lamentou no discurso dirigido aos franceses, garantindo ainda “apoio” aos comerciantes afetados pelas pilhagens.
Num momento em que a estratégia de segurança do Governo está a ser alvo de críticas perante os atos de pilhagem e de vandalismo de inúmeros estabelecimentos comerciais e de edifícios públicos em várias cidades francesas, Macron avançou que pediu ao executivo, em particular “ao ministro do Interior” Laurent Nuñez, que “retirasse todas as lições” relativas aos acontecimentos de sábado “ao nível de informações e de antecipação”.
“Espero respostas claras e será garantida toda a transparência”, prometeu.
“Os prefeitos tomarão as decisões em colaboração com os presidentes de câmara para proteger as nossas cidades, os nossos edifícios públicos e os nossos comércios”, afirmou.
Apelou também a que o “acompanhamento judicial” dos casos associados aos incidentes de sábado fosse “exemplar”, sublinhando: “Seremos intransigentes”.
Na intervenção transmitida em horário nobre, Macron exortou os partidos políticos e os sindicatos a condenarem “sem ambiguidade” os atos violentos registados durante os protestos, defendendo que França, que já entrou em clima de pré-campanha para as presidenciais de 2027, “precisa de ordem” e não de uma escalada de tensões.
“Apelo a todos os partidos políticos para que condenem inequivocamente toda e qualquer forma de violência. O país precisa de ordem, não de uma escalada”, disse o governante na declaração, na qual advertiu que as autoridades poderão proibir determinadas manifestações.
O Presidente frisou que as forças de segurança agirão com firmeza contra os responsáveis pelos distúrbios, sublinhando que a disponibilidade para o diálogo relativamente às reivindicações dos manifestantes não deve ser interpretada como um sinal de fraqueza.
Macron anunciou ainda que os deputados e as autoridades locais irão trabalhar, a partir desta semana, em soluções concretas para dar resposta ao mal-estar dos jovens.
“Não podemos pedir aos nossos jovens que acreditem no seu futuro sem (…) nos sentarmos à mesa”, concluiu.