A escritora portuguesa Sara Rodi apresentou o seu romance “O Quanto Amei – Fernando Pessoa e as Mulheres da sua Vida” à comunidade portuguesa de Toronto, durante a inauguração da livraria Saudade.
O encontro permitiu à autora partilhar a sua obra com a comunidade portuguesa, num momento que descreveu como marcado por “histórias, partilhas generosas e sonhos para o futuro”.
Sara Rodi agradeceu ao CEPE Canadá e à embaixada de Portugal no Canadá a oportunidade, bem como à equipa da Saudade (Ibérina Vi , Fátima, Nancy) pelo convite para participar na inauguração do novo espaço.

A livraria Saudade pretende ser mais do que um espaço dedicado aos livros em português. Segundo a autora, o local reúne também uma galeria de arte e uma loja de produtos portugueses, assumindo-se como um ponto de encontro para quem procura conteúdos e produtos ligados a Portugal.

Sinopse do livro
« — Senhor Pessoa… Sente-se bem, senhor Pessoa?
Uns olhos grandes, de mulher, olham-no de forma perscrutante.
Dois universos a tentarem mergulhar nos seus.
— Bem, não posso dizer que me sinta. Se nem sei bem onde estou… Morri?
A mulher sorri, e sorriem também os seus olhos esverdeados, contorcidos em pequenas rugas de expressão que enchem o seu rosto de uma beleza sem artefactos.
— Não se preocupe, está do lado dos vivos. Mas dos vivos a precisarem de cuidados, para não irem para o lado de lá.»
28 de novembro de 1935. Fernando Pessoa dá entrada no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, acometido de fortes dores no abdómen. A cumprir o seu turno, a enfermeira Alice procura tratar-lhe não só das dores físicas, mas também das maleitas da alma, desafiando-o a recordar a sua história, tão marcada pela presença de tantas figuras femininas.
Fernando Pessoa viveu a vida inteira rodeado de mulheres — e, ainda assim, reclamando da sua inabilidade para lidar com elas. As mulheres da família, como a mãe Maria, que parecia carregar o mundo às costas; as irmãs, que devolviam a Fernando Pessoa a sua infância perdida; Dionísia, a avó louca; as tias-avós «generalas»; a tia Anica e as sessões espíritas que organizava na sua casa… Também as mulheres com quem podia ter casado, como a eterna namorada Ofélia ou a inglesa Madge. As mulheres que o influenciaram, entre as figuras mais místicas do teu tempo e as escritoras que tentavam, tantas vezes em vão, afirmar-se. E as mulheres que o rodeavam: as empregadas, as vizinhas, as mulheres por quem morriam de amores os amigos…
Num tempo em que tanto se discutia o papel da mulher na vida pública e privada —, discussão que se arrasta até aos dias de hoje —, Fernando Pessoa é levado a questionar-se sobre a forma como cada uma das mulheres com quem se cruzou terá influenciado o seu percurso. A sua obra. O seu destino.