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O ministro da Economia e a ministra do Ambiente mandam-nos poupar, andar à boleia…

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O senhor ministro da Economia, Castro Almeida e a senhora ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, perante o quadro social e económico degradante em que vivem muitos portugueses, vieram dizer que é preciso consumir menos. Poupar combustível, gastar menos, consumir menos e andar à boleia. Recomendações curiosas, sobretudo quando dirigidas a quem já pouco ou nada tem para poupar.

Os mais desfavorecidos são, per si, os mais fragilizados. Têm menos rendimento, menos poder de compra e menos condições para fazer face às despesas essenciais. Precisam do carro para trabalhar, para ir ao médico, para tratar de vida. Precisam de pôr comida na mesa de uma família que, muitas vezes, inclui pessoas doentes e com necessidades alimentares especiais. A resposta de quem governa é: consumam menos.

Menos combustível, menos comida, menos qualidade, menos vida. Não se tratem, não saiam, não participem na economia, não vivam. Metam-se em casa, isolem-se, não existam. Desistam. É isto que resulta de uma recomendação que esquece que há quem já consuma apenas o indispensável.

Entretanto, a economia continua dinâmica, mas sobretudo para quem tem poder económico e poder de compra. Esses têm melhores condições para aproveitar benefícios, apoios e oportunidades. Quem está na base que aperte ainda mais o cinto.

Assim vamos vivendo neste país à beira-mar muito mal plantado e, cada vez mais, muito mal governado. Estávamos mal governados, estávamos. Mas, desde 2024, estamos perante gente que revela uma preocupante insensibilidade social e governa cada vez mais em função dos sequazes, dos que têm mais e dos que já estão em melhores condições.

É difícil imaginar maior distância entre quem governa e quem tem de sobreviver com o que tem e por vezes não tem. E é essa distância que transforma um simples apelo a consumir menos numa total afronta a quem já vive no limite.

Mário Adão Magalhães

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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