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Nem é tanto por mim

Por norma e de modo natural, automático, cumprimento as senhoras varredoras e os senhores varredores de ruas e especialmente os que vão pendurados nos camiões. Mais ainda quando eu, de automóvel, me faço passear e o camião – ainda que arrelie fazer-me esperar enquanto ele mesmo pára para as respectivas recolhas, eu espero pacientemente, sem arrogância, mas com naturalidade.

Nem é tanto por mim. Para me mostrar simpático, coisa que não sou – coisa que é de sublinhar aqui – , mas para que as senhoras e os senhores saibam que eu os sinto iguais a mim, a todos nós.

Nada de me armar em simpático e tolerante. Até porque não sou exuberante a cumprimentar à distância física.

Mas claro que ao fazer está menção já está implícito, pressuposto, que estou a diferenciá-los. Mas isso é a inevitabilidade, é da minha falta de engenho, quiçá o léxico que me não chega. Não sou eu capaz de dar fonemas e morfologia às minhas palavras escritas; já o tenho dito outras vezes, noutros casos. (Mas peço o favor de não recordarem partidos ou correntes políticas). Lá está: o léxico não me chega. Senão evitava que não pensassem nisso.

Há uma coisa que pulula volta e meia na minha cinzenta massa, mas é só por essa presença e não muito mais por não dever falar da minha vida particular: Em tempo namorei uma “raparuga” que esteve casada um mês. Ela. Eu não. Logo era divorciada. Também (ela) não poderia passar pela inevitabilidade. Por esse estigma, por esse ferrete. Coisas da vida, no mundo. Eu… eu um dia disse-lhe que me não lembrava – não me ocorria – que é(ra) divorciada. Nem era por mor da paixão, menos ainda porque não devesse amar alguém que não oiça a mesma canção ou não lê o mesmo livro. Não. Até porque deu-me a ler um livro… eu sei lá… creio que titulado “Não há coincidências” de uma senhora cujo “sucesso” me parece derivar da eventualidade de andar pelas alcovas da capital. Mas sobre isto já eu escrevi ‘indas-que possa voltar a fazê-lo.

Mas ela não perdeu a oportunidade de me lembrar isso mesmo: que ao dizê-lo, a mensurá-lo estava a considerar que sim, que lembrava… Coisas. Cada cavadela, cada minhoca, salvo seja. É incontornável, é evidente. Mas isto é mais forte do que nós, que eu… Entreouvi isto nalgum lado. Nem Malaca Casteleiro – que há dias pereceu – contornaria isto.

Creio mesmo que nem era por ela ser loira – natural… naturalmente – nem por ter os olhos azuis. Creio, mas não… nem sei.

Impõem-se, impõe aqui dizer o seguinte: Tenho para mim, desde que me lembro, que não sou simpático. Prefiro ser eu. Não dizer mais que aquilo que sinto, que eu entendo… que é a minha verdade. Até porque – digo-o muitas vezes – quem “é” simpático, a simpatia, é maioritariamente por interesse, porque se pretende obter algo ou parecer ser… Nem escrevo que é bajulação. Não. Isso é outro assunto. Lá… cá está: o vocabulário não me chega. Que chegue somente para eu vincar que não sou simpático.

E não sou simpático. Sou homem de afectos…

Quando um dia soube que o Presidente da República, senhor Marcelo Rebelo de Sousa, dizia o mesmo, senti-me plagiado. Senti que não tenho léxico, que não tenho capacidade para dizer além disto.

Nota bem: Este arrazoado surge para ilustrar a imagem e não a imagem para ilustrar o arrazoado.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)