Diáspora antecipa procura de casa em Portugal: Pesquisas sobem até 43%
As pesquisas por «casa Portugal» feitas a partir dos principais países da diáspora portuguesa subiram entre 18% e 43% nos primeiros cinco meses de 2026, face ao mesmo período de 2025. A conclusão é de uma análise da Imocomunidades.com, a feira imobiliária digital dedicada às comunidades portuguesas, aos dados do Google Trends entre novembro de 2020 e setembro de 2026.
O estudo revela também uma mudança de calendário: em 2025, o pico de interesse em França, na Suíça e no Luxemburgo acontecia em agosto, durante as férias na terra; em 2026, passou para janeiro e fevereiro. O verão de 2026 ficou, por isso, abaixo do de 2025 em França, na Suíça e na Bélgica.
Os números
Nas comunidades tradicionais, o arranque de 2026 foi o mais forte dos últimos anos. Em França, onde vive a maior comunidade portuguesa da Europa, o interesse de janeiro a maio subiu 43% face a 2025. A subida começou em novembro de 2025 e atingiu o máximo em fevereiro.
| País | Jan–mai 2026 vs 2025 | Ago–set 2026 vs 2025 | Mês de pico (jan–set): 2025 → 2026 |
|---|---|---|---|
| França | +43% | −21% | agosto → fevereiro |
| Suíça | +34% | −26% | agosto → janeiro |
| Bélgica | +22% | −33% | fevereiro → janeiro |
| Luxemburgo | +18% | volume insuficiente | agosto → fevereiro |
Fonte: Google Trends; análise Imocomunidades. Variação das médias mensais do índice.
No Reino Unido, Portugal ganhou peso face a Espanha. Nas pesquisas por casa num ou noutro país, a quota de Portugal passou de 29% para 34% (janeiro a setembro), e de 32% para 42% em agosto e setembro. Na Alemanha, a quota manteve-se estável (34% para 35%).
O que dizem os dados
Para Alexandre Bray, CEO e fundador da Imocomunidades, a mudança de calendário é o sinal mais relevante. «Durante anos, a procura de casa em Portugal fazia-se em agosto, na terra, com pouco tempo e muita pressa. Em 2026, vemos famílias a começar a pesquisar em novembro e fevereiro, a partir de Paris, Genebra ou Bruxelas. É uma decisão mais planeada.»
O responsável sublinha que o interesse não se traduz automaticamente em compra. «Pesquisar não é comprar. Quem vive fora precisa de perceber o processo, os custos e os impostos antes de dar o passo. É aí que muitas decisões ficam paradas.»
Sobre o Reino Unido, Alexandre Bray aponta outra tendência. «Quem procura casa no Sul da Europa a partir do Reino Unido olha cada vez mais para Portugal e menos para Espanha. É um mercado que vale a pena acompanhar de perto.»
O Google Trends não indica quem faz as pesquisas. No caso das pesquisas em português feitas a partir de França, Suíça, Bélgica e Luxemburgo, a explicação mais provável é a comunidade emigrante e lusodescendente.
Nota metodológica
- Fonte: Google Trends, dados mensais de novembro de 2020 a setembro de 2026, recolhidos a 30 de outubro de 2026. Outubro de 2026 foi excluído por estar incompleto.
- Indicador principal: pesquisas pelo termo em português «casa Portugal», feitas a partir de França, Suíça, Bélgica e Luxemburgo. As pesquisas relacionadas mais frequentes são «comprar casa Portugal», o que confirma a intenção de compra.
- Comparações: médias mensais do mesmo período do ano (janeiro a maio, agosto a setembro), para não confundir tendência com a sazonalidade das férias de verão.
- Reino Unido e Alemanha: a partir de janeiro de 2026, o Google Trends mostra uma subida generalizada em muitas pesquisas destes países, incluindo termos sem relação com Portugal (por exemplo, «house in France» no Reino Unido). Por isso, nestes países, Portugal é comparado com Espanha na mesma consulta («house in Portugal» vs «house in Spain»; «Haus in Portugal» vs «Haus in Spanien»), e o resultado é a quota de Portugal.
- Limites: o Google Trends dá um índice relativo de 0 a 100, não volumes absolutos, e não identifica quem pesquisa. No Luxemburgo, o volume é baixo e alguns meses ficam abaixo do limiar de publicação. Interesse em pesquisas não equivale a transações.
Sobre a Imocomunidades
A Imocomunidades.com é a feira imobiliária digital dedicada às comunidades portuguesas no estrangeiro. Liga emigrantes e lusodescendentes a agências, advogados e especialistas em Portugal, com foco em informação clara sobre o processo de compra, os custos e a fiscalidade. A plataforma é operada pela Imoedit Sàrl, com sede no Luxemburgo.