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Ajudar famílias portuguesas na Inglaterra através de jogos

Um projeto pioneiro na comunidade de língua portuguesa em Londres vai usar jogos e atividades lúdicas dentro do agregado familiar para melhorar o bem-estar e apoio em áreas como a saúde, emprego, vida social ou forma física.

O projeto da Lambeth Portuguese Wellbeing Partnership (LPWP), intitulado “Household Model”, vai atribuir um “treinador” a cada agregado, que vai reunir-se em sessões de duas horas com as famílias durante seis semanas, até abril.

O objetivo é, através de conversas, jogos e outras atividades, mas também testes de saúde e questionários, identificar as necessidades dos diferentes membros e procurar soluções, tanto de serviços públicos externos como internas, encontradas dentro do próprio agregado.

“Esta é uma forma de interpretar as necessidades das pessoas individualmente, mas que é diferente porque trabalha em equipa e permite identificar as diferentes necessidades dentro do agregado”, disse o médico Vikesh Sharma, um dos parceiros fundadores da LPWP, à agência Lusa, durante um evento de apresentação em Londres na sexta-feira a noite.

Os “treinadores” são pessoas com formação em enfermagem, assistência social ou apoio comunitário de origem portuguesa, moçambicana ou brasileira, e o modelo tem vindo a ser testado desde abril com famílias portuguesas e brasileiras, com alguns resultados.

Num caso, um antigo toxicodependente recuperou a autoestima, a forma física e a ambição de estudar fotografia depois de ser incentivado a semear e cuidar de plantas.

Numa família, uma “refeição da dor” permitiu aos membros dialogar abertamente sobre o problema de saúde de um deles, mas também do impacto, em termos de saúde mental, que estava a ter nos outros.

Esta atividade permitiu “desbloquear” a solução para o problema de saúde, mas também para o familiar que cuida do paciente, que encontrou na pintura um passatempo que ajuda a aliviar a pressão quotidiana.

“A ideia da ‘refeição da dor’ veio do facto de a comida representar um papel tão importante na cultura portuguesa, e ajudou os membros do agregado a falarem”, explicou à Lusa Hannah McDowall, co-diretora da empresa social Worldwide International Global Solutions (WIGS), que ajudou a amadurecer o conceito.

“Nós já conhecemos os problemas e desafios que eles enfrentam, mas precisamos de identificar as capacidades dos membros do agregado para perceber a dinâmica e fazê-la evoluir”, acrescentou.

Os agregados familiares são recomendados por alguns dos parceiros da LPWP, uma aliança de mais de 100 indivíduos e organizações locais, que trabalham em áreas como a saúde, habitação, emprego, violência doméstica, educação ou desporto.

O projeto está a ser realizado em Lambeth, um município no sul de Londres onde está concentrada uma numerosa comunidade lusófona, estimada em mais de 30 mil pessoas.

Porém, organizações de outras partes de Londres ou do Reino Unido e o próprio sistema de saúde britânico (NHS) têm manifestado interesse em reproduzir e aplicar o modelo em maior escala fora da comunidade portuguesa.

A LPWP foi criada na sequência de uma iniciativa em 2015 do médico britânico Vikesh Sharma para ultrapassar as barreiras linguística e cultural e melhorar o atendimento dos serviços de saúde locais aos portugueses, em colaboração com o português Cristiano Figueiredo.

Desde então tem vindo a desenvolver um modelo de “prescrição social”, que visa ligar utentes dos cuidados de saúde primários com outros recursos de apoio existentes na comunidade para responder aos problemas e necessidades sociais, melhorando não só a saúde, mas também o bem-estar.

Em 2018 recebeu um financiamento da Fundação Guy’s & St Thomas Charity, associada aos hospitais públicos de Guy’s e St. Thomas, de 335 mil libras (395 mil euros) para desenvolver a atividade.