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Opinião

Mário Soares no Panteão Nacional

Mário Soares morreu hoje aos 92 anos © ANTONIO COTRIM/LUSA

Quando Salvador Dali projectou e concebeu o Museu Dali em Figueres, um dos mais fabulosos museus que conheço, e recomendo o carro em que chove lá dentro e a sala Mae West, há uma divisão que serviria de Mausoléu a Gala, a sua mulher, diva e musa.

Por motivos e disputas familiares, Gala nunca foi lá sepultada, mas na minha opinião de leigo, seria o local exacto onde deveria repousar numa simbiose entre a obra e a inspiração, e talvez, a seguir seria sepultado o criador.

Basicamente é isto que quero dizer, ou seja:

Acho uma pepineira jacobina essa coisa dos Panteões, essa colecção da cadáveres de pessoas famosas e com significado para todos, num único local como se fosse uma caderneta de cromos. Além de mais, e havendo mais do que um panteão nacional, até mais do que dois, não sei o que isso do Panteão Nacional, qual deles? Um dos dois que fica em Lisboa? Na Igreja de Santa Engrácia, é isso?

O funeral e a sepultura não são circunstâncias menores numa cultura judaico-cristã, por norma as pessoas são sepultadas na sua localidade do coração junto aos seus familiares, e por amor de Deus, deixem Mário Soares repousar junto da sua musa inspiradora, Maria Barroso, ficam tão bem um com o outro, sempre o ficaram em vida, não vamos separá-los na morte.

Homenagear Mário Soares não é colocá-lo junto a corpos de outros homens e mulheres famosos, mas sim, conhecer a sua obra, entender que ele também foi um ser humano, e essencialmente, continuar a cultivar e incentivar os valores que ele tanto defendia: os da Liberdade e da Democracia!

Se quiserem homenagear um escritor ou uma escritora lá sepultados, leiam a sua obra, apreciem e divulguem. É a preservar o legado que eles nos deixaram!

E isso é importante, muito mais importante do que andar a discutir se que  Eusébio lá está, então quando der o badagaio ao Cristiano Ronaldo, também terá que lá estar, pois eu não concordo, este último ficará muito melhor no museu da Madeira.

Homenagear faz-se pelo conhecimento e por partilha de valores, não se faz através de clubes de elite para cadáveres.