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Rescaldo (de Galinha) do Festival Eurovisão da Canção

Decorreu há dias em Lisboa, na Altice Arena, a 63ª edição do Festival Eurovisão da Canção, feito este conseguido à conta de Salvador Sobral e do seu antigo coração que de tanto “Amar pelos Dois” colapsou de vez! Mas, pelos vistos, coração novo, neurónios antigos, a avaliar pelas alfinetadas polémicas com que continua a brindar os seus embirrentos de estimação, sejam eles nacionais, estrangeiros ou até, imagine-se, judeus. Sim, Salvador chamou “horrível” à música de Netta! Penso que Salvador mais não fez do que expressar o sentimento de toda uma nação crítica e ainda de Camões, Pessoa, Amália, Saramago e outros ilustres portugueses bem vivos, tais como Marcelo, Jesus ou Jaime Marta Soares que, aposto, nunca mais vão comer galinha na sua vida. Mas se atentarmos bem para a coreografia de “Amar Pelos Dois” e de “Toy”, facilmente constamos que os vencedores da Eurovisão de 2017 e de 2018 não são assim tão diferentes: Salvador ganhou com aquele seu peculiar maneio de mãozinhas para um lado e para o outro e a mesmíssima coisa fez Netta, só que com as suas asinhas de galinha…

Tenho que realçar a coragem de Netta que, sendo judia, desafia o poderoso ‘status quo’ do seu povo ao repetir mais de uma dezena de vezes a palavra “La”, facilmente confundível com “Alá”, Deus dos Muçulmanos. Também é verdade que se lermos nas entrelinhas, poderemos ver um Alá gigante a cacarejar e a passar a mensagem de que não é nenhum brinquedo para os radicais islâmicos andarem a fazer-se explodir e a matar em Seu Nome. Inteligentíssima mensagem subliminar sem sombra de dúvida!

Não sei se o estimado leitor reparou, mas Netta e Assunção Cristas são irmãs gémeas separadas à nascença no galinheiro: só que enquanto Netta ficou com as asas da mãe, Assunção ficou com a crista do pai. Não é de estranhar portanto que, volta e meia, Assunção Cristas venha por ordem no galinheiro com os seus cocorococós enérgicos e determinados, capazes de fazer estremecer de susto qualquer franganote de aviário.

Quanto à participação portuguesa, esta foi a mais cortesã possível, ou seja, não fosse a cor de cabelo de Cláudia Pascoal e ninguém teria notado a passagem do nosso “Jardim” pelo palco do festival, qualidades que só ficam bem a qualquer anfitrião. Aliás, numa entrevista a Rui Unas, Cláudia Pascoal disse, sem grande convicção que não ficaria em último. Ficou-lhe mal porque se era para ficar em último lugar que o fizesse com convicção, garra e determinação! Estou convencido que os portugueses votaram em Cláudia Pascoal precisamente porque pensaram: “Eh pá, já que somos os anfitriões, vamos mas é passar despercebidos e oferecer umas flores aos nossos convidados que só nos fica bem!”
Confesso que à medida que o Festival Eurovisão da Canção se ia aproximando do fim, o meu grau de nervosismo ia aumentando porque pensava: “se Israel ganha esta cena, não me admira nada que o Hassan Rohani envie uns mísseis contra a Altice Arena”. O meu problema não era que o Hassan acabasse com a festa dos judeus. O meu problema era que ficávamos sem sala de espectáculos para receber os grandes nomes da música mundial tais como o Tony Carreira e o seu genro, o Henrique Iglesias. Mas, felizmente, correu tudo bem e Israel nem teve que se preocupar com a organização do fogo-de-artifício para comemorar esta sua vitória no festival da canção. O Irão e os seus vizinhos árabes trataram disso!

Com esta vitória de peso, Israel ficou também a ganhar no xadrez da geoestratégia política e militar: ou o Irão para imediatamente com o seu programa nuclear ou Israel envia para o país dos Aiatolás a sua nova arma de destruição maciça: Netta, a cantar “Toy”! Não viram quando ela se esbardalhou toda, escadas rolantes abaixo, e levou à sua frente uma dúzia de homens todos musculados? Os iranianos e os palestinianos que se cuidem. E já se sabe, para o ano que vem os concorrentes do Festival da Eurovisão terão que usar capacete devido à típica chuva de pedras de Israel. Bem… por este ano já chega de rescaldos (de galinha). Para o ano Hamas em Jerusalém!