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Portugal: O país da UE que mais caiu nos índices da democracia

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Portugal é o país da União Europeia que mais caiu nos índices de qualidade da democracia nos últimos cinco anos. Um relatório internacional aponta recuos na credibilidade das eleições e na liberdade de expressão, numa altura em que a democracia está a sofrer recuos praticamente por todo o mundo.

Portugal está entre os países europeus com maiores recuos entre 2020 e 2025, empatado com a Arménia e a Eslováquia. Neste período apenas a Geórgia e a Rússia tiveram uma evolução pior. E na Liberdade de Expressão Portugal registou uma das dez maiores quedas a nível mundial, apenas atrás do Afeganistão e de Myanmar.

Para uma “Democracia de sucesso”, como o mentor e inspirador de Luís Montenegro, o senhor Aníbal Cavaco Silva, já na década de 80 asseverava imprimir, não estamos nada mal, não senhor. Para um governo e um PSD que frequentemente se asseveram humanistas e focados nas pessoas, empenhados em melhorar a vida dos portugueses e resolver os seus problemas, e aqui, além de me lembrar de Montenegro, não posso esquecer a imagem babada, rouca e esbaforida de Hugo Soares, estamos mesmo no bom caminho.

O país regride e vive tempos tristes e muito aflitivos. Só não percebem isso os sequazes e comentadores do PSD, deslumbrados e sem vergonha a defender interessadamente o seu governo e o seu partido.

Que saudades eu tenho do tempo em que se convidava para os fóruns televisivos pessoas capazes de discutir e fundamentar políticas com conhecimento. Hoje, muitos comentadores são pouco mais do que militantes partidários de serviço, a defender a todo o custo e despudoradamente as políticas do seu partido, ainda que sejam sentida e visivelmente desastrosas.

Mas para esta gente vale tudo. Até contrariar a realidade, desde que a realidade não contrarie o partido. O país regride, a democracia perde qualidade, a liberdade de expressão sofre um dos maiores recuos do mundo e, mesmo assim, lá estão eles, muito seguros de si a explicar-nos que está tudo bem.

E nós, os portugueses, somos os tolos. Eles é que estão correctos. O problema é que muitos, para além da clubite partidária, acreditam mesmo neles e levam-nos a sério. Porque eles conseguem dizer as maiores barbaridades com uma convicção admirável e sobretudo sem se rirem. O que perante tamanha evidência é considerado um extraordinário exercício de profissionalismo.

Mário Adão Magalhães

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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