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Emídio Sousa: “Ser português não depende do local de residência”

© Raúl Reis / BOM DIA

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, defendeu no Luxemburgo a sua abordagem à diáspora portuguesa, centrada na ligação ao país e não apenas no regresso a Portugal. Emídio Sousa falava ao BOM DIA durante o encontro das secções do PSD na Europa, onde o governante participou a convite do partido.

Emídio Sousa considerou que as comunidades portuguesas enfrentam desafios semelhantes, independentemente do país onde vivem, e reconheceu a necessidade de melhorar a comunicação do Governo com os emigrantes. Deu como exemplo a Alemanha, onde um participante questionou o pagamento de propinas, apesar de, segundo o secretário de Estado, estas terem sido abolidas há dois anos. “Provavelmente há aqui até uma falha de comunicação da nossa parte”, admitiu.

O governante apresentou o conceito de “Portugal Nação Global” como uma das prioridades da sua ação governativa. Para Emídio Sousa, ser português não depende do local de residência e o objetivo deve ser reforçar as ligações entre Portugal e os portugueses espalhados pelo mundo.

“Eu quero acabar, entre aspas, com o termo emigrante. Eu quero que português, eu já lhe disse, mas vou repeti-lo até à exaustão: português é qualquer um esteja onde estiver”, afirmou.

Esta estratégia passa também por reconhecer uma realidade diferente da emigração das décadas de 1960 e 1970. Emídio Sousa fala numa “nova diáspora”, constituída por profissionais altamente qualificados que trabalham em áreas como a medicina, engenharia, investigação, ensino universitário, gestão, hotelaria ou aviação.

Na Arábia Saudita, para onde estava de partida este fim-de-semana final de setembro, o Secretário de Estado deverá encontrar-se com uma comunidade de mais de dois mil portugueses. Nos Emirados Árabes Unidos serão cerca de sete mil, segundo os números avançados pelo governante. Para Emídio Sousa, estes novos destinos mostram uma presença portuguesa cada vez mais diversificada.

“Queremos que regressem, mas se não regressarem não devemos ficar aflitos. Queremos é que se mantenham ligados”, afirmou, defendendo que as novas tecnologias e a facilidade de viajar permitem manter uma relação próxima com Portugal independentemente do país de residência.

A Secretaria de Estado deverá assumir, neste contexto, um papel de “hub de comunicação” e de ligação entre Portugal e as comunidades. Emídio Sousa revelou que está em desenvolvimento a plataforma Portugal Nação Global, destinada precisamente a reforçar essa conexão.

Na entrevista ao BOM DIA, o secretário de Estado abordou ainda a situação dos portugueses na Venezuela, onde pretende regressar no final de outubro acompanhado pelo ministro da Economia e por empresas portuguesas. O objetivo será avaliar possibilidades de participação empresarial num eventual processo de recuperação económica do país.

Emídio Sousa reconheceu as dificuldades que continuam a afetar a comunidade portuguesa na Venezuela, mas considera que as perspetivas de retoma económica podem abrir novas oportunidades. “Para além desta ajuda agora, há um tempo de desenvolvimento económico, há um tempo de crescimento que eu espero venha ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas”, afirmou.

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