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Eleições com dez forças. Chegam?

Pode-se ler aqui sarcasmo mas assevero que a ideia, a minha opinião, não o é. É apenas um de modo em que posso sintetizar.

Resultado das eleições legislativas de 2019: Assunção Cristas, do CDS, perdeu as eleições. A eleição a primeira-ministra, a grande desilusão da senhora, que pelas Autárquicas de 2017, à Câmara de Lisboa, estabelecera como meta.

A partir daí, não há grandes derrotas. A exemplo da CDU que nunca perde uma eleição, até o Rui Rio do PSD, não perdeu.

A senhora Cristas veio muito cedo a admitir que perdeu a eleição, antes ainda do desenvolvimento dos resultados e desapareceu. Teve apenas tempo para dizer que vai pedir um Conselho Nacional para se seguir o congresso aonde não se recandidata.

As percentagens das eleições ainda que previsíveis mas com uma campanha inicialmente serena, também não podia passar sem se centrar nos debates de ideias, mas oportunidades para  esclarecerem e esclarecer-nos a nós, continuando a trazer tudo, menos o que está em cima da mesa, ainda que discussões não muito acessas, mas a parte final com os ânimos muito rubros que incluiram empurrões à senhora Cristas e por fim o senhor Costa quase a ir à pavana a um galã de óculos escuros.

A CDU continuou com o fenómeno que é nunca perder seja a eleição que for. É o paleio de sempre. Sempre arranja um motivo algures que justifica que ganhou. No fundo sabe-se que tal são repercussões de quando era apelidado “de cassete”. Que de certo modo até compreendo: Se as reivindicações não se consumavam, persistindo, só tem que pressionar a mesma tecla. Resta é saber se se justifica vir paulatinamente a perder terreno e deputados como Rita Rato ou Heloísa Apolónia numa diminuição de expressão que leva permanentemente eleitorado a afastar-se sem se exigir que a coligação mude a sua matriz, mas que se adapte.

A Aliança, o partido de Santana Lopes é que é engraçado. Se Santana saiu do PSD por não ganhar o plesbicito a Rui Rio, o que justifica que se não identificava com o partido e o líder, mas já se apresentava a oferecer acordos ao PSD com base nos dois ou três parlamentares que contava eleger. Nunca foi muito fácil eu perceber. Quando a fundação da Aliança apresentava-se muito mais ambicioso – a fazer lembrar o fenómeno do PRD de Ramalho Eanes quando este terminava o seu mandato presidencial que logo se esfumou.

O Bloco de Esquerda, ou Catarina, o movimento neste circo todo da campanha mais vísivel, reivindica o verdadeiro fenómeno, porque manteve os dezoito deputados, mas é o terceiro partido, ultrapassando a tal CDU – talvez fruto dos agoiros que Jerónimo exorcizava, e o CDS que realmente não podia deixar de agradar a Cristas que apostara em tornar-se chauffeur de táxi, como eu já disse, sendo que motorista não a satisfaria porque não é tão chique, não a preocupando que para isso tivesse de deixar cair o não menos agoiro número de deputados: 13, retro vade.

O PS proclama-se e os portugueses proclamaram vencedor-de-facto e vencedor-de-consciência, porque um terreno minado, a esperarmos pela manhã de cada dia a ver de onde vinha outro petardo, lá consolidou que Costa é de águas profundas, a fazer-me lembrar Jaime Gama, esse, sim, de água-doce profunda, enquanto Costa muito mais chafurdinador.

A vice Ana Catarina Mendes veio muito cedo pronunciar-se vitoriosa, mas os restantes elementos e mesmo Costa viera encerrar a noite mais tarde. O seu partido subiu, claramente, mas a instigar já que futuramente votem nele, assoberbado pelos dez deputados que lhe faltaram para a maioria. Justificava-o a dizer que os portugueses gostam da geringonça, e mais tarde mostrou-se aberto a conversar sobre apoios com a maioria dos novos partidos, menos com CHEGA para lá que estás muito à droite – elegendo um deputadozinho, mas André Silva já aponta os resultados de daqui a oito anos, que vai vencer as eleições.

Enquanto Rui Rio não sabe muito bem o que fazer no seu partido, adianta que toma o lugar de deputado, que eu mesmo aventei que o não faria… vem recalcitrar que o seu partido é de centro. Ora do centro pode virar um pedacinho mais à esquerda, ou numa iniciativa liberal, virar um pedacinho mais à direita.

E tivemos umas eleições peculiares, que se agora aligeiro as coisas nesta narrativa, não vão faltar oportunidade de falar. Falar bem. E mal, certamente.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)