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As “Estórias Submersas do Alentejo”

© DR

Da pré-História à atualidade, o Alentejo é o protagonista de uma série portuguesa de animação que está em produção com mais de vinte autores e artistas e destinada a Évora – Capital Europeia da Cultura 2027.

“Estórias Submersas do Alentejo” é uma minissérie de animação das produtoras Praça Filmes e Estórias em Movimento, sediadas no Alentejo, com curadoria da produtora Ana Carina Estróia, do realizador José Miguel Ribeiro e do programador Fernando Galrito.

O projeto nasceu de um convite feito pela equipa que desenhou a candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura 2027 e encaixou num “projeto de vida” que a Praça Filmes tinha há vários anos, como contou José Miguel Ribeiro em entrevista agência Lusa.

“Era interessante esta ideia de por os autores de animação a sair dos seu ‘ateliers’ e a trabalhar com outros autores de outras áreas artísticas. O cinema de animação, vejo-o como uma técnica mais do que uma arte. […] E eu acho que este projeto é de escuta e de diálogo. São as duas palavras-chave”, explicou o realizador.

“Estórias Submersas do Alentejo” será composto por nove episódios de sete minutos, cada um com uma identidade própria e autónoma, como se fossem várias curtas-metragens.

São nove histórias que resultam de um trabalho criativo – com várias parcerias inéditas – do qual fazem parte realizadores, escritores, músicos, uma coreógrafa, um chef, população do Alentejo e consultoria de pessoas ligadas à Biologia, Arqueologia ou História.

“Temos aqui uma diversidade grande, era importante haver pessoas de outros países que tivessem um olhar aqui para o nosso Alentejo. Este projeto também é um bocado do Alentejo para o mundo”, descreveu a produtora Ana Carina Estróia à Lusa.

Os episódios estarão distribuídos por três eixos temáticos que se relacionam com a realidade do Alentejo: “O Calmeiro”, sobre tempo e contemplação, “O Montado”, sobre a relação com a natureza, e “O Rancho”, sobre a memória “do trabalho, da festa e da resistência”.

Entre os episódios está previsto, por exemplo, “Aurora”, de Virgílio Almeida e Abi Feijó com o músico Rodrigo Leão, cuja narrativa recua ao Alentejo de há 20.000 anos, onde uma família procurou abrigo na Gruta do Escoural depois de se perder do clã.

Outro episódio, “A filha do preso político”, junta a realizadora Marta Andrade com o músico Janita Salomé e a D. Gertrudes, filha de um preso político do concelho de Montemor-o-Novo.

Haverá ainda “O Imigrante”, de Juan Pablo Zaramella, Madalena Victorino e da New Bowing Band, sobre imigração sul-asiática no Alentejo.

O mais lusófono episódio da série poderá ser “Todas as mulheres são da mesma nação”, escrito por José Eduardo Agualusa (Angola) e Mia Couto (Moçambique), realizado por Renato Duque (Brasil) e Catarina Gil (Portugal), sobre o trabalho escravo nos arrozais da Ribeira do Sado (século XV-XIX).

“Segunda Pele”, realizado por Susa Monteiro, com argumento de Virgílio Almeida e com o músico Pedro Mestre, é descrito como um “episódio de inspiração onírica, sobre o ecossistema Montado”.

“A diversidade do projeto é a diversidade também do Alentejo e do que existe no cinema de animação”, porque todos os episódios “têm uma característica específica dos seus intervenientes. No fundo temos desde o neolítico até a imigração, e o que é que pode vir a ser o Alentejo”, sublinhou Fernando Galrito.

Cada episódio resulta de uma residência artística da equipa de criadores, tendo já sido realizadas quatro, dando início, depois, a todo o trabalho de concretização da animação, numa espécie de “linha de montagem” de produção.

Segundo José Miguel Ribeiro, “Estórias Submersas do Alentejo” é uma produção totalmente portuguesa, com um orçamento de quase 1,4 milhões de euros e com previsão de estreia no final de 2027, no âmbito de Évora – Capital Europeia da Cultura, e com ambição de circulação posterior no circuito de exibição e em festivais.

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