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Escolha de Marco Godinho para Bienal de Veneza é boa notícia para portugueses

O artista português Marco Godinho, escolhido para representar o Luxemburgo na Bienal de Veneza em 2019, disse à Lusa que a nomeação “é o reconhecimento” do seu trabalho e “uma boa notícia para os portugueses”.

“Soube há pouco, e estou tão contente que nem sei o que dizer”, começou por admitir o artista plástico à Lusa, ao telefone, entre o Luxemburgo e Bruxelas, onde hoje inaugurou uma exposição na galeria LMNO.

“Para mim é um bom momento: abri hoje uma exposição em Bruxelas, vou para o Canadá na terça, e [Veneza] é uma oportunidade para dar a conhecer o meu trabalho a uma escala mais internacional”, afirmou.

Filho de imigrantes no Grão-Ducado, com dupla nacionalidade, Marco Godinho considerou também que a sua nomeação “é uma boa notícia para os portugueses no Luxemburgo, porque é uma forma também de integração”.

O artista plástico afirmou ainda estar “muito satisfeito” com o reconhecimento do seu trabalho, que procura “defender valores” e “uma certa ideia poética e política sobre a imigração”.

O projeto para o pavilhão do Luxemburgo na Bienal de Veneza, no próximo ano, vai prosseguir estas ideias, “à volta de como nos movemos na Europa, e na divisão Norte-Sul”, adiantou.

Nascido em 1978, em Salvaterra de Magos, Marco Godinho chegou ao Grão-Ducado com nove anos.

Filho de uma costureira e de um trabalhador da construção, os pais sempre o encorajaram, desde que, aos 17 anos, fez a primeira exposição e optou pela arte, uma escolha profissional pouco convencional.

“Tive sempre o apoio dos meus pais: estiveram sempre presentes e foram à aventura comigo”, contou.

Uma das suas obras, um verso de “A Tabacaria”, de Álvaro de Campos, heterónimo de Pessoa, recriado com fio e alfinetes, foi adquirida pela Lotaria Nacional do Luxemburgo, e decora agora a sede nos arredores da capital luxemburguesa, com palavras em português: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

O verso podia servir de mote a Marco Godinho, que já expôs em quase todo o mundo, de Beirute a Nova Iorque.

Em 2016, participou na feira de arte contemporânea Art Central de Hong Kong com uma performance em que leu e rasgou páginas de “Os Lusíadas”, de Luiz Vaz de Camões.

Em “Forever Immigrant”, uma obra apresentada em 2015 no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, em Lisboa, formada pela inscrição sobreposta de centenas de carimbos, evocava o calvário burocrático dos imigrantes.

Em Palermo e Lampedusa, também em 2015, apresentou a “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, um texto escrito em sobreposição (um método utilizado no séc. XIX, para economizar papel) que faz lembrar arame farpado – uma alusão à chegada de milhares de refugiados à costa italiana.

O Ministério da Cultura do Grão-Ducado anunciou hoje que Marco Godinho foi escolhido para representar o Luxemburgo na Bienal de arte contemporânea de Veneza em 2019.

Em comunicado, o júri explicou que a escolha permite “honrar o trabalho prolífico de Marco Godinho e a sua presença notada na cena artística nacional e internacional na última década”.

O júri, composto por especialistas de três países, incluía Suzanne Cotter, ex-diretora do Museu de Serralves e atual responsável do Museu de Arte Moderna (Mudam) no Luxemburgo, a diretora do Centro Pompidou em Metz (França), Emma Lavigne, e o diretor do IKOB Eupen, na Bélgica, Frank-Thorsten Moll, tendo analisado 20 candidatos.

A Bienal de Arte de Veneza 2019 decorre de 11 de maio a 24 de novembro de 2019.