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Regente dos vivos

regente dos vivos, a morte
na capitania da sua sanha
todos os dias engendra uma nova
e inédita estratégia para barrar-nos o caminho

ao olharmos para as estatísticas
os números são carnudos e terríficos
estremecemos, tropeçamos no pavor
caímos, feridas duradouras germinam
– a custo nos reerguemos

no chão, estendidos, estáticos
moribundos gemem, apodrecem
e nenhum passante pergunta por que caminhamos, para onde vamos
inaptos para o grito, apenas sussurramos
– e é quase sempre madrugada

desde tempos remotos
o quotidiano tem sido isto:
contar os passos, recontar as horas
auxiliar as flores, inventariar as lágrimas
falar com as sombras dos mortos
– no fundo, ir trocando as voltas à morte

tudo o mais deserto

dm

 

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