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Qualidade da indústria têxtil portuguesa atrai mais clientes britânicos

 A indústria têxtil portuguesa está a atrair um número crescente de clientes britânicos que procuram qualidade, proximidade e facilidade de comunicação, afirmam algumas empresas que participam na 12ª edição da Feira de Têxtil de Londres.

Logo à entrada do espaço, no Business Design Center, o stand da 6Dias recebe visitas constantes de pessoas, que percorrem as amostras penduradas nos cabides e discutem opções e preços.

“Esta é a nossa quarta participação nesta feira e tem sido cada vez mais positiva. Entre ontem [quarta-feira] e hoje já temos várias vendas feitas”, revelou à agência Lusa a comercial da empresa Lara Braga.

Os clientes, diz, procuram a empresa pela reputação de Portugal em tecidos e confeção e pela facilidade de comunicação e em estabelecer relações de confiança comparativamente a países concorrentes como os do Médio Oriente.

Estabelecida em 2006 por uma família com raízes na indústria têxtil, a companhia do Vale do Ave oferece uma variedade de artigos com base em polyester, viscose, algodão, linho, poliamida ou seda, aos quais existe a opção de juntar acabamentos.

Além do Reino Unido, a 6Dias faz vendas para França, Bélgica e Holanda, atingindo um volume de negócios que ronda os 7 milhões de euros.

A sua participação na feira integra-se no grupo de nove empresas que completam uma missão da Associação Selectiva Moda, que procura valorizar a indústria nacional no estrangeiro.

Porém, a feira mobilizou mais companhias nacionais, como a Anbievolution, que se especializou em malhas circulares.

A experiência na London Textile Fair, adianta a responsável pelo marketing e vendas da empresa, Maria João Carvalho, tem melhorado gradualmente desde 2016.

“Antes apareciam mais designers, agora já visitam algumas marcas”, adiantou, referindo Marks & Spencer, Topshop e Vivienne Westwood.

O crescente interesse, acredita o consultor Jorge Sá Couto, está relacionado com a qualidade e proximidade geográfica que as empresas têxteis portuguesas oferecem relativamente a países como China e Turquia.

“Com o pronto-a-vestir, há menos grandes coleções e passaram a haver mais pequenas produções e [as marcas] procuram produtores geograficamente mais próximos”, justificou.

Com 20 anos de história, a Anbievolution sobreviveu à crise do têxtil em Portugal e delineou um projeto de internacionalização que fez aumentar as vendas internacionais de 5-7% em 2014 para 42% atualmente, quase duplicando o volume de negócios para sete milhões de euros.

Igualmente em busca de maior mercado internacional apresenta-se a Trimalhas, que já expõe nesta feira desde 2015.

“Sentimos que é muito direcionada para designers novos e com coleções pequenas, mas também fizemos contactos com clientes de grandes cadeias, como a John Lewis ou a Next”, disse Patrícia Magalhães, responsável pela expansão e marketing da Trimalhas.

A empresa fundada em 2002 está a investir na internacionalização, com presença noutras feiras em Munique, Milão e Paris.

Em Londres, tem feito muitos contactos e prospeção de mercado, procurando promover o seu catálogo, que aposta em artigos de materiais orgânicos, sustentáveis e reciclados, com certificação, e produtos técnicos para desporto.

Atualmente 30% das vendas diretas são feitas para o estrangeiro e alguns dos seus artigos chegam a lojas do grupo Inditex, como Zara, Massimo Dutti e Uterque, e da cadeia britânica Next.

O volume de negócios, em 2016, foi de 14 milhões de euros e a estimativa é que, em 2018, fique entre os 15 e 16 milhões de euros.

A Feira de Têxtil de Londres decorre apenas durante dois dias e encerra hoje, sendo destinada aos profissionais da indústria, com expositores de têxteis, estúdios de impressão de acessórios e vestuário vintage.

A quase totalidade dos participantes são europeus e turcos, sendo 60 internacionais, a maioria dos quais da Itália, Espanha e Reino Unido.

O evento, o primeiro do ano, atrai mais de 5.000 visitantes durante os dois dias, 85% dos quais britânicos, mas também de França, Bélgica, Itália, Portugal, norte da Europa e Médio Oriente, alguns representantes de marcas como Selfridges, Marks & Spencer, Ted Baker, LaCoste, Zara, All Saints, Gap, Burberry, Gucci ou Primark.