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Os tempos

Tempus Fugit
Tempora Mutantur

Fogem e mudam os tempos,
as certezas e as incertezas,
as dúvidas, os complexos,
a timidez cabis-baixa,
o medo que chega alheio,
o menino demasiado bem comportado,
o querer agradar,
o querer ser gostado,
amado, desejado, violado,
as paixões, paixonetas e paixonites,
os amoricos, os amores e desamores,
o sexo e a ausência dele,
a frustração, a masturbação e o tesão
contidos, assumidos, saciados, consumados,
a auto-estima, a auto-confiança,
a segurança, a existência,
os sonhos, as fantasias,
os ideais, os objectivos,
o conhecimento, os limites do conhecimento,
os limites de ser e de fazer,
o fora-de-estrada, o todo-o-terreno,
a improvisação, a ousadia,
as bifurcações, os maus caminhos,
a perversidade moral ou imoral,
o ilegal, o que engorda ou desinibe,
as interdições, os excessos
a dois, a três, a quatro, em turba,
à bruta, sem ferrolhos,
sem cadeados nem tabus,
além-corpo, além-mente,
além-alma, além-ser, além-luz,
a vontade, a força, a coragem, a garra
a paciência, as concessões
e a necessidade absoluta de consenso,
o politicamente correcto
e o que dirão as pessoas,
os bons amigos, os falsos amigos,
as mentiras, as traições,
a queda, o vazio,
o nada que parece infindo,
a perdição, a cegueira,
o instinto de sobrevivência,
a vacuidade da vingança,
a justiça poética, a desforra,
as batalhas necessárias, as vitórias,
os falhanços, as derrotas, as derivas,
os mares, os ventos, as bisas e as brisas,
as tempestades, a navegação à vista,
os astrolábios, as bússolas, os mapas,
os poemas e o papel,
e o papel dos poemas
na minha vida.

Mudou tudo, tudo muda,
fogem os tempos, mudam
e mudam as vontades,
mas a impaciência de ser feliz
e de ter paz interior, não!

JLC23092018