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O que acontece quando um passageiro morre num avião?

Este sábado, um voo da TAP com destino a São Paulo, no Brasil, teve de regressar ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, após um passageiro ter morrido durante a viagem.

O voo TP81 partiu do aeroporto do Porto no sábado às 12.45 horas, mas regressou devido à morte de um passageiro a bordo.

Estes casos são raros, mas que acontece nesta situação? Que devem fazer as companhias aéreas e as autoridades?

O piloto da TAP decidiu voltar ao Porto já que estava ainda perto de Portugal quando o passageiro foi dado como morto, mas, muitas vezes, o voo segue a sua rota habitual.

Legalmente, “não se pode decretar a morte no avião, apesar dos sinais que podem ser interpretados pelo senso comum”, explicou ao Diário de Notícias, Carlos Amoroso, presidente da Associação Portuguesa de Tripulantes de Cabine. É necessário que um médico, ou outra autoridade, examine o passageiro em terra para que ele seja dado oficialmente como morto.

Para Carlos Amoroso, o mais importante é “resguardar o corpo e o resto dos passageiros” e manter “o respeito e a privacidade”.

Carlos Amoroso, que também é comissário de bordo, relembra um caso em que um comissário de bordo fez reanimação durante três horas a um passageiro que tinha “um historial clínico complicado”. O avião foi obrigado a aterrar de emergência, antes de chegar ao destino, e o passageiro foi encaminhado para um hospital, onde foi declarado como morto.

O comissário de bordo afirmou que casos destes não são frequentes. Em 20 anos de serviço apenas foi confrontado com um. Há uma emergência médica em cada 600 voos, segundo T. J. Doyle, o diretor do serviço médico de companhias aéreas da Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos.

A Singapore Airlines tem um procedimento distinto e especial: quando acontece um falecimento, geralmente o cadáver é colocado numa fila de bancos que esteja vazia e tapado com um cobertor.

“Se não houver uma fila disponível, o corpo do passageiro é deixado no lugar onde estava sentado”, afirmou um porta-voz da Singapore Airlines. Os passageiros sentados ao lado do morto são colocados noutro lugar disponível.

Em 2004, o jornal The Guardian revelou que alguns aviões da Singapore Airlines para viagens de longas distâncias tinham um compartimento especial para colocar passageiros que morressem durante o voo, caso não houvesse uma fila de bancos disponível. Na altura, a companhia aérea tinha voos de 18 horas e de 17 horas, mas os compartimentos nunca chegaram a ser utilizados.

“Em cada caso é feita uma gestão no sentido em que o corpo possa estar mais afastado possível” dos restantes passageiros, explica Carlos Amoroso. O comissário defendeu que tudo tem de ser feito para que o voo continue “com tranquilidade”, mas “cada caso é um caso”.

Para a British Airways esta situação está numa “área cinzenta”. No documentário “A Very British Airline”, uma instrutora de um curso para assistentes de bordo explica que a única coisa que não se pode fazer é colocar o passageiro morto na casa de banho.

“É uma falta de respeito e eles não ficam presos durante a aterragem”, explicou a instrutora da British Airways. “Se eles escorregam, o que pode acontecer facilmente durante a aterragem, o cadáver fica no chão” e presos, porque as portas das casas de banho abrem para dentro. “Seria necessário desmontar o avião para os retirar de lá”, continua.

A instrutora confessa ainda que antigamente a tripulação fingia que o passageiro tinha bebido de mais e que estava apenas a dormir. “Dávamos-lhes vodka e água tónica, um jornal e óculos de sol e fingíamos que estava tudo bem”, contou, acrescentando que já ninguém faz isso.

A Associação Internacional de Transportes Aéreos aconselha a mover o passageiro que morreu para alguma fila de bancos com menos passageiros, e passar os outros passageiros para a primeira classe, ou colocar o corpo na cozinha do avião.

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