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Morreu açoriano da diáspora que inspirou livro

O açoriano Victor Manuel Caetano, que inspirou um romance e uma série de televisão por ter construído um barco para emigrar para os Estados Unidos da América, morreu no Hospital de Ponta Delgada, disse à Lusa um familiar.

Victor Manuel Caetano, nascido na ilha de São Miguel, tinha 95 anos.

Evaristo Gaspar, também já falecido, e Vítor Caetano partiram de Ponta Delgada, em São Miguel, em 28 de junho de 1951 e chegaram em 23 de agosto aos Estados Unidos, onde foram recebidos como heróis, depois de terem sido dados como mortos.

Os dois foram recolhidos ao largo das ilhas Bermudas por um navio, quando a sua embarcação se encontrava à deriva e estavam sem alimentos há cerca de uma semana.

A aventura dos dois açorianos inspirou uma obra de ficção do escritor Manuel Ferreira, que é considerada um clássico da literatura produzida nos Açores, denominada “O barco e o sonho”, adaptada para televisão pela RTP.

Numa entrevista à agência Lusa, em agosto de 2016, Vítor Caetano recordou a sua viagem a bordo do seu barco, de apenas seis metros, e como conheceu John Fitzgerald Kennedy (também conhecido por JFK), num hotel na cidade de Boston, onde o norte-americano promoveu uma festa para assinalar o aniversário da construção da igreja portuguesa de Cambridge.

Segundo o açoriano – então com 26 anos -, Kennedy, à data congressista pelo estado de Massachusetts, ficou fascinado com a sua aventura marítima e assegurou-lhe que iria empenhar-se na sua legalização para ficarem no país.

“Ele ficou admirado com a nossa história. Ele próprio contou-me como ficou ferido durante a II Guerra Mundial, num barco de patrulha. Todos os anos, graças a JFK, eu renovava os meus documentos e, quando faltavam sete dias para os cinco anos, período necessário para obter a cidadania, tornei-me cidadão americano”, declarou Vítor Caetano.

Quando o político chegou à presidência dos Estados Unidos, Vítor Caetano enviou-lhe uma carta a dar-lhe os parabéns “por ser Presidente de um grande país como a América”, tendo este retribuído com um agradecimento.

Vítor Caetano teve de abdicar do seu barco quando foi recolhido pelo navio, mas não antes de retirar de bordo a bandeira portuguesa, uma imagem da Virgem de Fátima e outra de São José, nome com que foi batizada a embarcação.

Mais tarde construiu uma réplica em miniatura, que ostentava “com orgulho” na sua residência.