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Luso-americana produz máscaras de forma solidária

A designer luso-americana Goretti Medeiros desenhou uma máscara protetora para profissionais de saúde e iniciou a sua produção em massa em Los Angeles, uma iniciativa para ajudar no combate à covid-19.

“A minha maior preocupação é fazer máscaras que forneçam a proteção apropriada às pessoas nas linhas da frente, porque as máscaras caseiras de algodão não devem ser usadas por médicos nem enfermeiros”, disse a responsável à Lusa.

Designer técnica e engenheira têxtil há 25 anos, dona da loja ‘online’ Rooster Camisa, que vende roupa e acessórios alusivos a Portugal, a luso-americana desenhou uma máscara com quatro camadas de tecido.

A camada exterior é feita de polipropileno, permitindo “bloquear quaisquer gotículas”, as duas no interior fazem a barreira e filtragem e a que contacta com a pele é macia para um uso mais confortável.

Com matéria-prima suficiente para produzir 7.500 a oito mil máscaras, Goretti Medeiros e uma equipa de quatro voluntários começaram a cortar e coser o primeiro lote de mil, usando fundos próprios da designer e dinheiro proveniente de donativos, enquanto procura financiamento.

“Ainda estou à procura de um investidor para poder aumentar o volume de máscaras”, explicou, referindo que tem em curso uma campanha de angariação de fundos na plataforma GoFundMe e lançou um site , onde quem quiser pode doar cinco dólares ao projeto ou patrocinar o fabrico de unidades para hospitais específicos, o que já permitiu doar dezenas de máscaras.

O passo seguinte depende do investimento. “Devido à falta de ajuda na obtenção de financiamento, estamos a vender máscaras conforme recebemos pedidos”, afirmou.

“A nossa esperança seria conseguir financiamento para apoiar doações em grande volume e permitir ao público comprar máscaras”, acrescentou. O preço de retalho, para o público em geral, será de cinco dólares.

Medeiros, que perdeu o emprego na semana passada em resultado da travagem da economia, já tem acordo com uma fábrica em Los Angeles e procura agora 10 mil dólares (nove mil euros) em investimento somente para sustentar a produção de cerca de cinco mil unidades.

A ideia inicial era fazer máscaras para dar a familiares que trabalham na área da saúde e precisavam de equipamentos de proteção individual, algo que publicou na sua página na rede social Facebook e levou a uma “explosão” de pedidos.

“Não podia ignorar as pessoas que estavam a pedir ajuda”, afirmou. “É importante para mim que tenhamos uma cadeia de suprimentos estabelecida localmente para este tipo de produtos e que ofereça suporte às fábricas nos Estados Unidos para um produto tão vital”, sublinhou.

As máscaras do tipo N95 são equipamentos de proteção individual essenciais para os profissionais de saúde que estão a tratar doentes infetados com a covid-19, mas há uma escassez significativa de inventário nos hospitais dos Estados Unidos.

O projeto evoluiu quando a luso-americana percebeu que muitas pessoas estavam a fazer em casa as suas próprias máscaras em 100% algodão, um material que não protege os profissionais adequadamente. Antes de avançar, Goretti Medeiros confirmou o seu design com um especialista em doenças infecciosas, enfermeiros e profissionais de emergência médica.

“É preciso notar que as máscaras 100% algodão que as pessoas estão a fazer não vão ajudar os profissionais médicos a resistir ao vírus, essas máscaras devem ser usadas pelo público em geral”, explicou a designer.

“Sem desvalorizar o trabalho dos voluntários, quero aconselhar que os profissionais precisam de máscaras que bloqueiem e filtrem o vírus para que não entre nas suas vias respiratórias”, salientou.

Ainda a aguardar respostas da cidade de Los Angeles e do governo da Califórnia, Medeiros está a pedir a aprovação do regulador FDA (Food and Drug Administration), numa altura em que se vive uma situação de emergência nos Estados Unidos, o país com maior número de infeções do mundo.

As autoridades sanitárias do condado de Los Angeles aconselharam na semana passada os médicos e enfermeiras a reutilizarem máscaras N95, uma vez que os inventários estão criticamente reduzidos, enquanto esperam pela entrega de mais unidades. O cenário de escassez tem-se repetido em vários pontos do país.

A pandemia covid-19 já infetou mais de 189 mil pessoas nos Estados Unidos, com 4.073 mortos confirmados.

#portugalpositivo