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Duas questões numa: o radicalismo e Bolsonaro

1) Para que fique claro: a culpa da violação é dos violadores e a culpa do fascismo é dos fascistas.

2) No entanto, podemos tomar precauções para que haja menos violações e menos votos em fascistas, ou não podemos?

3) Se a polícia aconselha a não deixar as portas de casa abertas ou pede que as pessoas quando saem de casa contactem a PSP não está a desculpar os ladrões, pois não?

4) Quando se afirma que uma mulher não deve subir ao quarto de um homem que acabou de conhecer não se está a legitimar a violação, pois não? Está-se apenas a dizer algo sensato.

5) Quando digo às minhas netas para não falarem nem aceitarem nada de desconhecidos, não estou a credibilizar pedófilos e malfeitores, pois não?

6) Quando, desde 1995 ando a escrever que a agenda de ódio e de ‘nós ou eles’ de certa esquerda conduziria, a prazo, a uma maré de sentido contrário (caramba a História está cheia disto) não estava a defender que houvesse fascismo, apenas a prevenir que não se pode dividir os países em dois campos, limpar o sarampo ao centro e depois ficar-se com ar indignado a chamar fascistas a quase 50 por cento de um eleitorado. É que Bolsonaro não engana. Da pena de morte ao racismo, passando pela menoridade das mulheres ele defendeu tudo o que é odioso…

7) Quando os perfeitos (parecem os cátaros na sua pureza imaculada) vêm dizer que não se pode afirmar que uma ‘santa’ não iria ao quarto de um homem estão a ser radicais, literais e pouco dados à subtileza.

8) O texto que pessoalmente escrevi dizia “Voltando a Ronaldo, não sei se ele violou Kathryn. E se é certo que mesmo uma mulher contratada como chamariz de homens para um bar, ou até uma prostituta, pode ser violada, porque a liberdade individual não é negociável (razão que conduz a dúvidas sobre a legalização da prostituição, porque a atividade prevê a supressão da liberdade a troco de dinheiro)”.

9) Mais à frente escrevi: “A verdade é, neste caso, difícil, senão impossível de verificar. Só uma cabal confissão de Ronaldo, por ser o acusado, poderia desfazer as dúvidas. E, caso ele seja culpado, talvez seja melhor fazê-lo.”

10) Mas o que convém a determinados radicais é omitir isto porque num parêntesis disse que uma Santa não subiria ao quarto de um homem, depois de dizer que não conhecia Kathryn Mayorga e que esta podia ser uma megera ou uma santa (não um ou exclusivo, mas inclusivo, ou seja todas as gradações entre as duas categorias, como é óbvio para quem sabe ler).

11) Para finalizar, direi que só tive relações sexuais consentidas e nunca com uma santa ou com uma megera. Penso que nenhuma santa quereria ter relações comigo…

12) Por que razão Ronaldo assinou aquele acordo? Não faço ideia, pode ser que o beneficie ou que o prejudique, mas acho notável que tanta gente tenha opinião formada.

13 (e último) – Por muito respeito que tenha pelas senhoras que foram molestadas por vedetas e famosos (e tenho todo o respeito, naturalmente), gostava de ver o mesmo escândalo quando se trata de pobres, refugiados, gente sem eira nem beira. Podem crer que este tipo de coisas ofende aqueles que sentem dificuldades, que nunca viram tanto dinheiro junto. Podem crer que esta radicalidade é uma das bases para considerarem os mais poderosos, ricos, influentes, um bando de inúteis que para nada servem. Tornamo-nos no combustível dos bolsonaros.

Disse… e chamem-me o que quiserem.