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Calor pode abrandar propagação do novo coronavírus

A curva ascendente do contágio da covid-19 pode abrandar quando chegar o calor? Sim. Os primeiros estudos sugerem que o coronavírus tem mesmo mais dificuldade em manter-se ativo em temperaturas altas, embora tal campo de pesquisa esteja a dar os primeiros passos. Os estudos que se conhecem parecem provar que existe ligação estatística entre a temperatura e os níveis de humidade e as geografias onde o vírus tem mais dificuldade em expandir-se.

Ou seja, a pandemia pode abrandar em breve na Europa e América do Norte, mas vai voltar em força assim que as temperaturas baixarem de novo.

As provas de possível ligação entre a temperatura e o “êxito” de certos países no combate à pandemia eram, de início, empíricos. Os cientistas começaram, porém, a dedicar mais tempo a pensar nas razões quando, em países asiáticos com sistemas de saúde debilitados ou regimes extremamente fechados que se recusam a informar a população, não se notou uma explosão total do número de casos.

Acresce que a China é um parceiro comercial importante de países como Myanmar, Indonésia, Camboja ou Taiwan, países que não foram até à data fortemente atingidos pela pandemia. Um breve exemplo: a Universidade Johns Hopkins, que tem vigiado casos, mortes e pessoas curadas em todo o mundo, acompanhando várias fontes, mostra que o Camboja tem 91 casos, oficialmente, enquanto os Estados Unidos passam dos 10 mil.

Nada disto quer dizer que a ação do vírus pare, imobilizada pelo sol incandescente do continente africano ou da Austrália, mas um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o prestigiado MIT, mostra que 90% dos casos de transmissão do coronavírus aconteceram dentro de um intervalo de temperatura definido, entre os 3 e os 17 graus centígrados.

Mesmo dentro dos Estados Unidos, refere o estudo, a progressão do vírus no Texas é mais lenta do que, por exemplo, nos estados mais frios de Nova Iorque ou Washington. No entanto, é preciso estudar melhor o efeito da humidade na multiplicação do vírus: onde o tempo é quente mas a humidade é baixa (caso de Paris no verão), as temperaturas mais quentes podem não oferecer grande respaldo.

Todos os cientistas que assinam estes estudos, em entrevistas que foram concedendo, alertam para o facto de nada disto ser importante se as pessoas não tomarem todas as precauções. O vírus vai continuar a matar em todos os climas se as cadeias de transmissão se multiplicarem.

O perigo passa agora para o hemisfério sul, que pode em breve apresentar temperaturas dentro da baliza de graus em que o vírus se propaga com maior rapidez.