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Baco no coração do Douro

Se me é permitido gostaria de lembrar aqui factos já esquecidos mas que estão na origem de muitas e variadas «carrispanas» a que se assiste por esse mundo fora.

A origem e a fama do vinho vêm de muito longe e foi um tal deus Baco o seu divulgador.

Homem inteligente e conhecedor, para ele não havia segredos na Arte ou na Ciência. Um setor, porém, lhe mereceu particular interesse: a vitivinicultura, ou seja a cultura da vinha e, em laboratório, do vinho.

Um dia, apoiado pelo seu amigo Sileno e rodeado de belas mulheres, engalanadas de coroas de flores, folhas de vide e braços de videiras (mais tarde conhecidas por Bacantes), partiu da Grécia em excursão pelas Índias, Egito, etc. a fim de revelar ao mundo as virtudes de tão famoso e agradável líquido.

Em Portugal, como aliás, em quase todo o planeta, Baco deixou bons e fieis seguidores.

O poeta António Botto retratou como ninguém, a problemática da pinga:

Um extrato do poema «Filosofia dum Alcoólico»:

Endireita-te! Não podes? | Fala de frente! Já sei. | Embebedei-me? E depois? | O vinho dá lucidez! E um homem com vinho é rei! | Quando se bebe há centenas | De visões no coração. | Vê-se a vida doutra cor | Vermelha, quente, sadia, | Você está ouvindo ou não? | Tudo tem outro encanto | E até a miséria sabe | A um bem-estar, a fartura | As mãos dão palmas, há risos, | Estamos sempre de acordo | Se em nós for grande a grossura…

Melhor do que isto, só Baco, lá do alto da sua sabedoria!

Vem isto a propósito dum caso que me foi relatado como tendo acontecido recentemente no coração do Douro.

Três amigos que todos dias se encontram no mesmo local e à mesma hora para beber uns copos, já bem etilizados, saíram de regresso a casa. Foi quando o mais avinhado, gritou de dentro do carro:

– Fui roubado! Fui roubado! Roubaram-me o volante e os pedais do carro!

Perante o alarido, o dono da taberna acorreu para verificar tal desiderato. E, com calma, esclareceu:

– Oh, homem você está sentado no banco de trás!…