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A raposinha de Góis

Dizem, que não há animais maus. A maldade, é, muitas vezes, forma de defesa.

Todos os bandidos perigosos, têm momentos de ternura. A má conduta é, em regra, devido à educação, e ao meio em que viveram ou vivem.

Não é verdade, que o cachorro é, quase sempre, o reflexo do dono? É que o animal “copia“, sentimentos e reações de quem cuida dele.

Tudo isto vem a propósito do que li num jornal beirão, “O Varzeense”, de 15 de Fevereiro, do corrente ano.

Narrava o periódico, que estando em casa determinada senhora, mencionada apenas com o nome de Maria, ouvira barulho estranho na varanda de sua casa.

Era ao fim da tarde. Estava já escuro. Abriu a porta, e deparou com uma raposa, que a olhava de olhos mansos.

Como ouvira falar que andava a rondar a aldeia uma raposa inofensiva, a senhora Maria apiedou-se do animal e, logo pensou procurar comida, já que os incêndios devastadores das florestas, deixaram-na, provavelmente, sem recursos para se alimentar.

Dirigiu-se então à cozinha, para buscar um bocado de carne.

Aproximou-se receosa, a raposinha veio comer à sua mão.

Depois… ganhando confiança, entrou em casa e “jantou” perante o espanto e receios da gata, que olhava amedrontada para a intrusa, que se portava como um cão.

Ficou a senhora Maria espantada, quando, afoitamente, passou a mão, levemente, na cabeça. A raposa, como que a agradecer-lhe o “jantar”, pôs-lhe as patas nas pernas, tal e qual cachorro manso e grato.

Certamente gostaria de ter ficado com ela, cuidando da raposinha, mas era-lhe impossível. Limitou-se a tirar-lhe uma foto, como recordação da cena comovedora.

Ao contar tudo isso, a senhora Maria, formula um pedido: se virem a raposinha, não lhe façam mal. Simplesmente dêm-lhe de comer.

Ao ler a notícia, lembrei-me do lobo da Porsiúncula que todos temiam, e que S. Francisco, dando-lhe de comer e cuidando dele, transformou num cãozarrão manso e humilde.

Muitas vezes os animais (e as pessoas) são maus e ariscos porque não encontraram quem os compreenda, e lhes dê um pouco de carinho.

Como o Mundo se transformaria se todos espalhassem sorrisos e palavras de amizade, sem o interesse de serem retribuídos!

Todos buscam compreensão e ternura; até a raposa selvagem de Góis soube agradecer a quem a recebeu com amizade e amor.