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A Europa vai desaparecer (se continua assim)

Sendo europeu de gema (e não “europeísta”, como esta inenarrável horda de Bruxelas o entende…), e estando profundamente orgulhoso das nossas tradições civilizacionais e culturais de raíz cristã, fico siderado com aquilo que vou lendo sobre as iniciativas de obscuros e medíocres comissários da Comissão Europeia, que nos vão massacrando com leis idiotas, como aquela ordenança que determinou que a curvatura dos pepinos deve ter uma “forma razoável”, para que o pepino seja praticamente direito (o arco do pepino deverá ter no máximo 10 milímetros por cada 10 centímetros de comprimento do pepino)”… Atenção, nem é anedota, nem fake, essa ordenança existe mesmo.

Alguém acredita que gente que ganha dezenas de milhares de euros livres de impostos, oriundos da elite política dos seus países, e que são enviados para a Comissão Europeia e para o Parlamento Europeu teoricamente para criar uma plataforma de entendimento e convivência entre os 27 países (após o Brexit) que conformam a UE, mas cujas raízes e tradições culturais variam enormemente, não tenha outra preocupação que não seja precisamente a de mexer nos alicerces da verdadeira riqueza nacional de cada um dos membros, as suas tradições culturais, hábitos e costumes, para tratar de os uniformizar (sempre pelo menor denominador comum, o da mediocridade) em todos os países da União?

Era realmente necessário tratar de ordenar os pepinos, a forma como os franceses produzem queijo há centenas de anos, ou como os portugueses e espanhóis produzem enchidos desde tempos imemoriais ?

Claro, depois há aqueles países que são pragmáticos, e mandam as ordenanças e leis idiotas às malvas. Os franceses e os espanhóis continuam a produzir alimentos como muito bem entendem, dentro de normas de higiene que mantêm vivos os consumidores há dezenas de gerações, certamente mais apertadas do que no passado, mas sem alterar a estrutura e sabor dos produtos que fabricam… E há aquele pequeno país com raízes salazaristas bem inscritas no ADN, que logo cria as ASAE da vida (uma instituição bem necessária, entenda-se, e à qual os consumidores portugueses devem estar agradecidos, falo a sério), mas que as pululam com zelosos amanuenses e pequenos ditadores que usam e abusam do poder que lhes é conferido, e que levam a aplicação da legislação europeia, transposta para direito nacional, já de si idiota muitas vezes como vimos, à quinta potência da estupidez.

Einstein disse uma vez : “ Apenas duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana, e não tenho a certeza quanto à primeira”. Ou seja, com verdadeira e insofismável certeza, só mesmo a estupidez humana é infinita. Einstein faleceu 3 semanas antes de eu nascer, pelo que teve a enorme sorte de nunca ter conhecido o polvo de Bruxelas. Mas deve ter adivinhado o que aí vinha, como o futurista Alvin Toffler, porque esta sua frase assenta como uma luva aos burocratas de Bruxelas.

Aquilo que me tirou do sério, e que me levou a escrever estas linhas de indignação genuína, foi a notícia (verdadeira, não fake), que a Comissária Europeia para a Igualdade, a maltesa Helena Dalli (país onde os jornalistas incómodos são assassinados) preparou um guia para promover a linguagem inclusiva na Comissão Europeia com 30 páginas (há áreas em que a estupidez humana é finita, pelos vistos) em que uma das sugestões é abolir a palavra Natal !!! Esta senhora justificou a sugestão dizendo que “nem toda a gente é cristã, e nem toda a gente celebra as férias cristãs “. E é com este tipo de argumentação imbecil que subtilmente vai sendo introduzida no nosso quotidiano, que esta gentalha quer destruir a nossa cultura, as nossas raízes cristãs, os nossos hábitos e os nossos valores.

Que eu saiba nunca se obrigou alguém que não seja cristão a celebrar a tradição esmagadoramente maioritária dos cristãos europeus. Mas querem-nos aparentemente proibir de falar abertamente dessa festa cristã, para satisfazer as sensibilidades de minorias que não a celebram. Tenho imensos amigos que não celebram o Natal, como os da comunidade judaica, que celebram o Hanukkah (Festival das Luzes), e nunca se sentiram minimamente ofendidos por haver celebrações de Natal no país em que vivem, ou de haver comunicações sobre o Natal, da mesma forma que exigem respeito e compreensão pelas suas próprias tradições. Nem eu alguma vez me senti minimamente melindrado por os judeus celebrarem o seu Hanukkah, ou os muçulmanos celebrarem o seu jejum ritual, o Ramadão, ou os hindus celebram as suas festas rituais, o Diwali e o Chhath… É lá com eles, que sejam felizes, se divirtam, e preservem esse património de valor incalculável que são as suas tradições ancestrais rituais, religiosas, culturais, familiares, etc.

A Igualdade e a Inclusão promovem-se com educação para a tolerância à diferença desde muito cedo, e nunca pela proibição que promova a exclusão daqueles que são proibidos de falar ou escrever sobre as suas raízes culturais ! As crianças até pelo menos aos 10 anos desconhecem o que é a segregação de qualquer tipo, raça, religião, etc., são os adultos que os mal educam e formam na intolerância ao que é diferente.

Não deixa de ser um contra-senso que tantas iniciativas para a Igualdade e a Inclusão tratem de proibir e coartar, criando pela sua própria ação Desigualdade e Segregação, em vez de Igualdade e Inclusão. Na Europa claramente existe a intenção de arrasar as nossas raízes culturais, subjugando a nossa história, raízes, tradições, hábitos, etc., que são partilhados por uma esmagadora maioria da população, às agendas de minorias ativistas sob a bandeira da Igualdade e Inclusão ! Por isso mesmo abundam os sinais evidentes de que a “muralha” da UE, colada com cuspo sempre que os burocratas de Bruxelas procuram mexer em sensibilidades nacionais tão díspares, arrisca implodir.

Depois da saída dos ingleses, fartos que estavam de que lhes dissessem como fabricar aquelas intragáveis salsichas gordurosas, mas sem as quais não vivem felizes, os polacos e os húngaros estão até à ponta dos cabelos e num “cabo-de-guerra” com Bruxelas por questões de princípio civilizacional, e os extremismos avançam com cada vez maior expressão e violência. E a questão dos refugiados, em relação à qual cada país tem a sua própria visão e solução, ainda só agora começou a fazer estalar o verniz entre os estados-membros da UE. Porque nada mexe mais em ódios e medos ancestrais (e irracionais em grande medida) do que tudo aquilo que é diferente, e ver centenas de milhar de pessoas cujas origens desconhecemos, com hábitos e idiomas diferentes, a tratar de entrar na Europa não deixa de ser assustador para a população votante, pelo que os políticos andam aterrorizados e temerosos do caminho a seguir. Uma coisa é certa, esta é uma área em que não haverá política comum da UE 27.

Estes cavaleiros do Apocalipse da dita Igualdade e Inclusão esquecem-se que quando o resto do mundo ainda vivia nas trevas mais profundas da Idade Média, já na Europa existia a génese do humanismo cristão. Etienne de La Boétie introduziu no seu “Discours de la servitude volontaire” (1550!) os conceitos de Liberdade, Igualdade, Fraternidade, que viriam a ser o lema da Revolução Francesa dois séculos mais tarde. E vêm agora estes pindéricos incultos e primários tratar de reescrever sob o manto de Igualdade e Inclusão os princípios fundacionais da cultura europeia, tratando de impor e proibir que comuniquemos e celebremos como muito bem entendermos o Natal, ou que um pequeno agricultor do interior de Portugal, que não tem acesso aos grandes circuitos de distribuição alimentar (os Pingo-Doce e quejandos gostam é de importar uvas do Chile e maçãs da África do Sul ), possa vender os seus pepinos curvos (mas imensamente sumarentos e deliciosos) na economia local, porque não os manipulou geneticamente para endireitar a curvatura !

Como vivemos hoje novamente num regime de medo, igualzinho aos nefastos tempos da ditadura salazarista, em que as pessoas eram perseguidas e encarceradas (hoje são ostracizadas e fortemente penalizadas na sociedade e no local de trabalho, o que é tão mau ou ou pior) por delitos de opinião, as pessoas só admitem dizer o que pensam sob o manto protetor do anonimato. Criámos uma sociedade do medo e da mentira.

Termino portanto citando as palavras de um funcionário da Comissão Europeia, que aceitou dizer a um jornalista em off o que pensa do tema: “ Esta diretiva atenta contra as regras mais elementares. Está tudo doido. É uma experiência surreal”.

Qual é o lugar para alojar doidos ? O manicómio. Pondo-os a gerir a Europa em Bruxelas, digam-me lá que futuro nos espera. E depois admiramo-nos que a taxa de abstenção para as eleições europeias, que em 1987 era de toleráveis 27,8 0/0, ande em 2019 nos 69,3 0/0.

José António de Sousa

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