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Tribunal de Matosinhos decide caso de homem que confessou ter encomendado morte dos pais

O Tribunal de Matosinhos agendou para esta terça-feira a leitura da decisão sobre o caso de um homem de Vila do Conde que confessou, em audiência de julgamento, ter encomendado a morte dos pais em novembro de 2016.

O processo envolve mais dois arguidos, o homem contratado para matar os pais e a namorada deste.

Segundo a acusação, o principal arguido encomendou a morte dos pais com o objetivo de ficar com a herança, tendo entregado a outro suspeito, como adiantamento, um cheque e dinheiro que este transferiu para a namorada, e cúmplice. “A morte das vítimas apenas não se concretizou por mero acaso, alheio à vontade dos suspeitos”, frisou o Ministério Público.

Os crimes “foram de uma inusitada e despropositada violência, condizente com os objetivos previamente traçados”, que visavam matar as vítimas e “realizar um roubo para dissimulação dos homicídios”, sustentou.

No início do julgamento, a 03 de outubro, o homem assumiu não ter tido motivo válido e querer “pagar” pelo crime.

“Não há nenhum motivo válido, perdi o discernimento, agora sinto-me culpado, revoltado e envergonhado e, por isso, quero ser condenado”, disse, na altura, perante o tribunal de júri (constituído por um coletivo de juízes e quatro jurados).

Além disso, o suspeito de 48 anos, em prisão preventiva – medida de coação mais gravosa – referiu que os pais não aceitavam o seu atual relacionamento amoroso, não concordavam com a venda que ele fez de um armazém e que tinham tido, há pouco tempo, desentendimentos. A soma destas situações, relatou, “saturaram-no” ao ponto de encomendar a morte dos pais.

Contrariando a acusação, o arguido garantiu que o crime nada teve a ver com a herança, que era “pequena”, mas com “más opções de vida” que foi tendo e que geravam discussões e conflitos com os progenitores.

Por isso, confirmou, encomendou a morte a um amigo do filho, não tendo traçado qualquer tipo de plano, pedindo-lhe apenas que fosse “rápido e sem grande sofrimento”.

O alegado executante do crime, de 23 anos, igualmente preso, revelou que nunca teve intenção de matar ninguém, mas apenas de extorquir dinheiro. Já a namorada não quis prestar declarações.

A leitura da decisão judicial está marcada para as 14:00 no Juízo 8 do Tribunal de Matosinhos, no Porto.