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Primeiro festival de cinema lusófono em Glasgow

O sentimento de abandono e isolamento perante o Brexit e a riqueza da cultura lusófona são os temas da primeira edição do festival de cinema Lusofilm, em Glasgow, na Escócia, que abre na sexta-feira, com o filme “Jangada de Pedra”.

Os organizadores encontraram um paralelo da situação política e social do Reino Unido com a obra do Prémio Nobel da Literatura José Saramago, que imagina a separação da Iberia do resto da Europa.

“O festival pretende aproximar as pessoas, através do cinema, para contrastar a vivacidade da cultura lusófona com o profundo pessimismo do momento contemporâneo”, referem na apresentação.

O filme do realizador holandês George Sluizer, que adaptou o livro de Saramago ao cinema, em 2002, será projectado na sexta-feira no Centro de Artes Contemporâneas, seguido por uma sessão de perguntas e respostas com a presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Rio.

No sábado, estão programadas a longa-metragem “Mueda, Memória e Massacre”, de Ruy Guerra, e as curtas-metragens “Eva Maria”, do brasileiro Rafael Todeschini, e “Farpões, Baldios” (“Barbs, Wastelands”), da portuguesa Marta Mateus, que foi selecionada para os festivais de Cannes, Nova Iorque, Montreal e Mar del Plata, na Argentina, entre outros, e que teve o prémio de melhor filme, além de vencer a competição internacional, no Curtas de Vila do Conde, no ano passado.

A última sessão do dia será “A vida invisível”, segunda longa-metragem de Vítor Gonçalves, que foi selecionada para festivais de cinema, como os de Roma, Roterdão ou Paulo, e recebeu os prémios de melhor filme e melhor ator – para João Perry -, atribuídos pela Sociedade Portuguesa de Autores.

A sessão de perguntas e respostas deste filme terá a participação de Julie Brook, artista britânica que vive na Escócia, conhecida pelas intervenções em escultura e pintura, e cujos filmes das paisagens verdes e costeiras escocesas foram usados em “A vida invisível”.

O último dia do Festival será preenchido com “Comboio de Sal e Açúcar”, do brasileiro radicado em Moçambique Licínio Azevedo, que foi premiado nos Festivais de Locarno, Joanesburgo e Cairo, tendo sido candidato à nomeação do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro 2018.

O filme passa-se durante a guerra civil em Moçambique, na década de 1980, acompanhando o percurso de cidadãos que arriscam a vida ao fazer a ligação de comboio entre a cidade de Nampula, no norte do país, e o Malawi, em linhas ferroviárias constantemente sabotadas.

O festival encerra com “A Vida do Avesso”, de Hugo Martins, a história de um casal jovem, entre protestos e confrontações do contexto da crise política e financeira em Lisboa, filme lançado este ano, e que o próprio realizador vai apresentar em Glasgow.