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Portugueses de Kinshasa em projeto solidário

 A comunidade portuguesa em Kinshasa, na República Democrática do Congo (RDCongo), criou uma tertúlia da Academia do Bacalhau através da qual está a ajudar financeiramente um projeto de crianças órfãs, disse à Lusa o presidente daquela associação.

Morado Miguel, empresário português que preside à recém-criada tertúlia na capital congolesa, disse que as crianças, muitas delas igualmente abandonadas, encontram-se sob o cuidado de uma congregação religiosa franciscana.

“Contamos com uma centena de ‘compadres’, que frequentam os nossos jantares e que nos ajudam nos leilões e nas oferendas e doações, dos quais utilizamos depois os fundos para ajudar uma congregação de freiras franciscanas da Nossa Senhora da Vitória, que cuidam de crianças órfãs e também abandonadas, e vamos continuar a ajudar no que podemos”, explicou.

Morado Miguel, 35 anos, natural de Braga, Portugal, falava à Lusa à margem do 47.º Congresso Mundial das Academias do Bacalhau, que este ano se realizou em Joanesburgo para assinalar os cinquenta anos da fundação da ‘Academia Mãe’ de Joanesburgo.

O plenário, que decorreu de 17 a 21 de outubro, aprovou a abertura da 60.ª tertúlia do movimento de amizade e solidariedade em Kinshasa.

“Estamos nisto há mais ou menos um ano e estou muito contente de entrar nesta família. Os objetivos não são fáceis de atingir mas havemos de lá chegar, pouco a pouco”, referiu o empresário.

Segundo Morado Miguel, a tertúlia em Kinshasa surgiu da necessidade de unir a comunidade portuguesa que, segundo disse, se encontra dispersa na capital congolesa.

“Temos a escola dos portugueses, para os portugueses que residem permanentemente ou se encontram de passagem em Kinshasa, e onde antigamente fazíamos umas petiscadas e umas sardinhadas mas já há sete anos que não se passa lá nada, e por isso a necessidade de nos reunirmos e voltarmos a juntar-nos e daí surgiu a ideia da Academia do Bacalhau”, contou à Lusa.

Na opinião de Morado Miguel, a comunidade só se encontrava “de mês a mês ou mesmo de ano a ano” e esta tertúlia do bacalhau veio reforçar “os laços de amizade” entre os portugueses em Kinshasa.

A Academia do Bacalhau de Kinshasa, cuja oficialização está prevista para meados de 2019, é a décima sétima tertúlia portuguesa em África, continente com maior número de academias do ‘fiel amigo’.

Kinshasa junta-se deste modo a um movimento de 60 tertúlias em 17 países nos quatro continentes do mundo: África do Sul (11), Swazilândia (duas), Moçambique (duas), Namíbia (uma), Angola (uma), Portugal (12), Madeira (duas), Açores (três), França (quatro), Luxemburgo (uma), Bélgica (uma), Canadá (duas), Reino Unido (uma), Brasil (sete), Venezuela (três), Estados Unidos (cinco) e Austrália (uma).

Morado Miguel estima que o número de portugueses radicados na capital congolesa oscile entre os “100 e os 150” mas em todo o país não ultrapassará os 300 portugueses.

“Já lá estamos há muitos anos, somos brancos considerados portugueses, mas somos como os de lá. A insegurança é evidente como em todo o lado, e temos as nossas precauções para continuar por lá”, referiu à Lusa.

“Sou natural de Braga, fui para Kinshasa em criança, nem um ano tinha, o meu pai já lá estava desde 1980, tinha lá atividades, com as quais continuamos ainda hoje”, recordou.

Morado Miguel fez os estudos superiores em Portugal, com formação profissional em mecânica industrial e dedica-se atualmente na RDCongo à transformação de madeira e gestão de uma pedreira em Kinshasa, onde a empresa emprega 300 funcionários.

Questionado sobre as perspetivas de futuro do seu negócio na RDCongo, o jovem empresário disse que vão “aguentando o barco conforme se pode e o tempo o dirá em relação ao futuro”, acrescentando no entanto que a sua principal preocupação é alargar as ações de solidariedade da Academia do Bacalhau.

“Agora é evoluir para outros áreas de solidariedade, porque se hoje ajudamos a confraria das freiras franciscanas, amanhã poderemos dar outros passos do género e ainda maiores”, sublinhou Morado Miguel.