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Luxemburgo: exposição sobre imperatriz Maria Teresa tem “toque português”

Está patente no museu Dräi Eechelen, no Luxemburgo a exposição “Marie Thérèse – la femme aux multiples couronnes“.

Trata-se de uma pequena  exposição consagrada à imperatriz da Áustria, Maria Teresa, soberana do império austro-húngaro que reinou sobre uma grande parte da Europa, incluindo o Ducado do Luxemburgo (cujo território era, naquela altura, muito mais vasto).

Maria Teresa, era rainha da Boémia, imperatriz do Sacro-Império Romano, arquiduquesa da Áustria, Duquesa da Borgonha, da Lorena, do Brabant, do Limburgo, do Luxemburgo … etc etc etc.

Recorde-se que a imperatriz Maria Teresa era sobrinha da rainha D. Maria Ana da Áustria, esposa do reino Dom João V. O pai da imperatriz, o imperador Carlos VI, era irmão da rainha Dona Maria Ana, cujo retrato faz parte da atual exposição “Portugal Drawing the World” em exibição no Luxemburgo até dia 15 de outubro.

Durante a visita-modelo organizada para os guias oficiais do Museu tive igualmente a oportunidade de sublinhar que, na Europa, a imperatriz Maria Teresa da Áustria e a imperatriz Catarina da Rússia não foram as únicas mulheres reinantes na Europa  já que, em Portugal, duas outras mulheres (D.Maria I e D. Maria II) também foram rainhas.

Independentemente  dos laços familiares entre os dois países, José Sebastião de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, após ter ocupado o cargo de embaixador na Inglaterra (1738-1743) foi embaixador em Viena de 1745-1749.  De facto, em 1743, a coroa austríaca e o Papado encontravam-se numa situação de conflito devido às promessas feitas pelo Papa Bento XIV ao imperador Carlos VI e, posteriormente, a sua filha Maria Teresa, de elevar ao cardinalato  Monsenhor Mário Mellini. Como tal promessa não tinha sido cumprida, tanto a imperatriz como seu marido Francisco Estevão, grão-duque da Toscânia e, mais tarde, rei da Hungria, tomaram essa falta de palavra como uma ofensa .  E foi então aqui que o  prestígio europeu do rei D.João V, levou a que Portugal fosse escolhido pelo papa como medianeiro deste conflito. Em  1744 a Áustria  aceita a mediação  e a 8 de Setembro de 1744, Pombal parte para Viena, passando antes por Londres para informar o rei D. Jorge II da sua missão na Áustria.

Resta que nestas negociações a atuação de Pombal foi de caráter mais político do que diplomático. Em 1746, o Papa acabará por atribuir a púrpura a Monsenhor Mellini,  terminando assim o diferendo.

A 18 de Dezembro, o Marquês de Pombal que tinha enviuvado em 1743 casa, em Viena, com D.Maria Leonor Ernestina Eva Josefa, condessa de Daun – um casamento que lhe conferiu a promoção social que tanto esperava e que lhe abriu as portas da alta sociedade de Viena.

Esta  experiência diplomática do Marquês de Pombal na Áustria contribuirá fortemente para a formação do seu ideário político. O facto de poder observar diretamente um regime político extremamente marcado pelo absolutismo iluminado permitiu-lhe implementar  uma série de medidas em Portugal – um país, que, naquela altura, e em relação a outros países europeus, marcava um forte atraso quer ao nível económico como ao nível social e ideológico.