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Crónicas nada-fantásticas sobre o Mundial (3)

Notável leitora e grandioso leitor, bem-vindos a mais uma crónica nada-fantástica sobre o Mundial de Futebol da Rússia, o Mundial onde vale tudo, desde provocações políticas em celebrações de golo de jogadores suíços de origem albanesa até selecções a jogar com apenas dois titulares em campo, como é o caso da portuguesa. O ambiente no Mundial anda tão esquisito que até ouvi esta conversa entre duas bolas de futebol, numa pastelaria onde a especialidade são as suas primas, as bolas de Berlim:

-Queres ir rebolar comigo, com muito carinho e amor, para a cama?

-Nem pensar! Eu cá sou sadomaso: prefiro levar com os pontapés do Ronaldo!

Dinamarca x Austrália: Confronto de guardiões da ‘Premier League’, Kasper Schmeichel pelo lado nórdico, e Matthew Ryan pelo lado australiano, liga que, de longe, é a que tem maior presença de guarda-redes titulares neste Mundial, com oito. Curiosamente, o maior rival do campeonato inglês, ‘La Liga’, tem apenas um arqueiro titular na competição: Keylor Navas, o que não significa que não haja outros goleiros (como dizem os brasileiros) a actuar em Espanha: assim, temos o marroquino Munir no Numancia, segunda divisão espanhola e o nigeriano Uzoho na equipa secundária do Deportivo da Corunha (terceira divisão). É caso para dizer que, praticamente, todas as redes de Espanha têm cobertura no Mundial da Rússia, ou seja, cobertura 3G. Mais uma vez foi necessário recorrer ao vídeo-árbitro para ver que Poulsen “pou(l)sou” a mão na bola…

França x Peru: Kylian Mbappé tornou-se no primeiro jogador nascido após a conquista do Mundial pela França em 1998 a marcar numa fase final de um campeonato do mundo. Tratou-se de um jogo altamente recomendado pelo meu médico uma vez que se tratou de um desafio entre carnes brancas, logo, com baixo teor em colesterol. Foi um confronto bonito de se ver entre o galo e o peru, tendo o primeiro acabado a cantar vitória: “cocorococó!”

Argentina x Croácia: A última vez que a Argentina não venceu os primeiros dois jogos da fase de grupos de um mundial foi em 1974. Nesse mundial, a selecção albiceleste contava com Mario Kempes, Hector Yazalde e Roberto Perfumo, só para citar alguns nomes. Foi derrotada pela Polónia de Grzegorz Lato, e empatou com a Itália de Dino Zoff e Fabio Capello. Porém, na ultima jornada do grupo, venceu o Haiti, com destaque para 2 golos do, então, jogador do Sporting, Yazalde. Agora, graças a Messi e companheiros, Argentina regressa atrás no tempo e rejuvenesce, o que não é necessariamente mau. Mau mesmo é que, com estes resultados é altamente provável que Maradona volte a ter uma recaída no mundo das drogas…

Brasil x Costa Rica: Pela primeira vez na história dos Mundiais, uma vitória brasileira foi conseguida através de um golo no tempo adicional da segunda parte. Já o tento de Neymar aos 90+7’ foi o mais tardio de sempre dos Mundiais, em tempo regular, recorde que durante 4 anos pertenceu a Silvestre Varela, após o seu golo frente aos EUA, em 2014. Esta selecção brasileira tem a particularidade de metade dos seus jogadores terem sido criados apenas pela mãe, em famílias monoparentais. Aposto que os pais estavam demasiado ocupados a assistir a partidas de futebol.

Nigéria x Islândia: Ahmed Musa, com os seus 2 golos, tornou-se no primeiro nigeriano a marcar em 2 mundiais diferentes e no primeiro jogador do Leicester City a marcar num mundial. Muito se fala de Heimir Hallgrímsson, que além de treinador da selecção islandesa também é dentista, mas pouco se fala do seu ‘rival’ nigeriano. O seleccionador da selecção nigeriana, Gernot Rhor, tem como principal destaque na sua carreira de treinador o facto de ter atingido a final da Taça UEFA, em 1996, pelo Bordéus, onde perdeu para o Bayern de Munique, treinado por Franz Beckenbauer, e capitaneado por Lothar Matthaus. Tenho pena mas é de Leon Balogun, o jogador nascido na Alemanha e que joga na selecção nigeriana, pois imagino o bullying que os colegas devem fazer com ele nos balneários…

Sérvia x Suíça: Destaque para Xherdan Shaqiri, Granit Xhaka e para as suas celebrações com cunho político, ao fazer a águia albanesa com as mãos aquando das celebrações dos golos. Jogo a fazer lembrar o Equador x Suíça do Mundial 2014, quando os sul-americanos saíram na frente do marcador, a Suíça empatou por volta dos 50’, e marcaram o golo da vitória já no final do jogo, padrão que se repetiu neste jogo. Vitória helvética mesmo no limite, ‘malgrado’ para os sérvios…

Bélgica x Tunísia: Romelu Lukaku foi o primeiro jogador a marcar pelo menos 2 golos em 2 jogos consecutivos num Mundial, desde Diego Armando Maradona em 1986, que marcou 2 dobletes contra a Inglaterra e contra a Bélgica, na competição que se realizou no México. Curiosamente, no jogo que opôs Bélgica e Tunísia, o único dos 26 jogadores que disputou a partida e que joga num clube belga estava do lado tunisino: o lateral Dylan Bronn, jogador do Gent. Foi um jogo de loucos, o que se compreende perfeitamente dado pertencerem ambas as selecções ao grupo G: a Bélgica encontrou o ‘ponto G’ da Tunísia e a partir foi só facturar orgasmos… opppsss… quero dizer… golos…

Coreia do Sul x México: Pela segunda vez em fases finais de um Mundial, as duas selecções defrontaram-se. Há 20 anos, no Mundial da França, os mexicanos também ganharam, mas desta feita por 3×1, com golos de um avançado, também, chamado Hernández: Luis Hernandéz, também conhecido como “O Matador”. Com a segunda derrota consecutiva da Coreia do Sul, esta está quase a ir de ‘Vela’ para casa. Já os mexicanos estão ansiosos por defrontar a Suécia para verem com os próprios olhos se realmente eles são tão bons a montar o esférico como dizem…

Alemanha x Suécia: Como já vem sendo hábito neste Mundial, o golo decisivo surgiu no final do jogo. Mais de um quinto dos golos marcados até agora na competição aconteceram após o minuto 85’, o que representa aproximadamente um décimo de tempo de jogo. A Suécia mais uma vez foi derrotada pela Alemanha, após em 2006 o jovem Lukas Podolski ter resolvido o jogo dos oitavos-de-final com um ‘bis’ frente aos nórdicos. Pinto da Costa já comentou: “Já há muito tempo-extra que estava com saudades de ver um jogo assim”…

Para concluir a crónica de hoje partilho com o estimado leitor/a uma proposta daquelas que me deixam mesmo sem palavras, tal é o grau de aberração da mesma: o Burger King desafiou as russas a engravidarem de jogadores do Mundial. Para tal, esta cadeia de ‘fast food’ promete 3 mil rublos e um suprimento vitalício de hambúrgueres a grávidas. É indecente propor um regime alimentar só à base de hambúrgueres a uma grávida! Propor que ela engravide de um jogador famoso ainda vá que não vá! É o sonho de qualquer jovem com meia dúzia de neurónios em curto-circuito. Sabemos isso! Agora oferecer hambúrgueres à discrição é condenar essa jovem e o bebé que ela traz no ventre à morte! Não me admiraria mesmo nada que também tivesse sido a Burger King a patrocinar o estágio da selecção mexicana com ‘las chicas calientes’ antes da sua deslocação para a Rússia.

(Esta crónica foi escrita em parceria com o meu filho Diogo Luís, estudante na Universidade do Porto).