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Angola

Vamos ver no que isto dá. Para já, e estranhando a falta de entendimento e coordenação entre os serviços de protocolo angolano e português, António Costa foi fazer uma guarda de honra em calças de ganga. Isso é grave? Não, se tivesse sido avisado atempadamente, certamente teria ido mais “compostinho”. Mas grave não é, a não ser para algumas pessoas que estão a dar demasiada importância a este “fait divers”.

Não apreciei muito o facto irritante do dossier “Manuel Vicente” ter passado para a mãos dos angolanos, dando a impressão notória de uma submissão de uma nação que se quer soberana, a outra nação. É certo que existiam protocolos judiciais, mas como todos sabemos, à altura dos factos, Manuel Vicente gozava (não sei se ainda goza) de imunidade.

A primeira medida desta visita, e devendo o Estado Angolano 500 milhões de Euros a empresas e trabalhadores portugueses e sem grande resolução à vista, o Estado Português resolve dar um crédito de mais 500 Milhões ao Estado Angolano. Ou seja, eventualmente será o Estado Português a pagar a dívida a essas empresas e trabalhadores.

Agora que Álvaro Sobrinho, no caso BESA, garante que houve uma fraude na falência desse banco, convinha esclarecer este caso, tanto mais que o Estado Angolano deu uma garantia soberana, assinada por José Eduardo dos Santos e o Ministro das Finanças Angolano, sobre 5.700 milhões de dolars (4.750 milhões de Euros) e depois impediu que a mesma fosse accionada. Ora bem, isto é grave, muito grave, tanto mais que foram os contribuintes portugueses a pagar todo o prejuízo do BES e do BESA, e não me venham com tretas do fundo de garantia e coisas parecidas.

Depois então, falamos de cooperações e tratados, e amizades.

Angola é um país pobre mas certamente de gente boa. Apesar de ter 3 vezes a população de Portugal, a sua economia é pouco mais de metade. Tem um rendimento per capita de cerca de 1/6 do português, e graves problemas no sistema de saúde e educação, entre outros. E certamente termos mais obrigações com o povo angolano do que com os seus endinheirados líderes.